Entrevista – Raquel Costa aka A Gaja(personagem fictícia)

“A Gaja” é uma página do facebook criada por Raquel Costa, trata-se duma personagem fictícia que aborda diversas situações do quotidiano mas especialmente relações, homens e mulheres.  A página apresenta diversos tipos de conteúdos, desde imagem, frases rápidas, vídeo a textos mais longos. Geralmente são os textos mais longos e imagens com texto que recebem maior interacção, mas por vezes frases directas e curtas também alcançam bons números. Na página “A Gaja” posta o que apetece apesar de haver muitos fãs a não gostarem conteúdos sobre a casa dos segredos, mas no meio desta anarquia de pensamento existe muito trabalho a nível de social media.

1 – A Gaja nasceu fruto de um grito de revolta contra o politicamente
correcto ou achaste engraçado que as pessoas colocassem like numa
página com um vibrador e rolo da massa na capa(alusão à primeira capa)?

A questão dos número de “likes” nunca foi a parte mais importante. Eu sabia que tinha uma ideia com muito potencial mas, quando comecei a página, não planeei uma meta, fosse ela os 20 mil ou os 2 milhões. A Gaja nasce por uma conjugação de fatores. O primeiro e principal… porque me apeteceu. Escrevo desde os 16 anos, já tive outro blogue (entre 2003 e 2010) e, há três anos, comecei a sentir necessidade de voltar a escrever para outros lerem. Desta vez num registo menos confessional, mais divertido. Menos críptico e mais acessível. E positivo.

A ideia do rolo da massa e do vibrador surge após alguma reflexão. Queria retratar, de forma divertida mas também provocadora, o que é ser mulher em Portugal no século XXI. A dicotomia, muitas vezes antagónica, entre o que a sociedade espera de nós e a aquilo que nos apetece fazer. O rolo da massa simboliza a mulher mais sensual que sexual, mais submissa do que ativa, que rege a sua vida na busca do homem que a complemente. O vibrador é o símbolo da mulher sexual e independente, que vai atrás daquilo que quer, que não precisa de um homem para legitimar a sua existência. O mais engraçado é que estas duas mulheres coexistem dentro de cada mulher!

2 – Desde do inicio a página apresenta um cuidado a nível estético, ou
seja houve um trabalho de planeamento. Quanto tempo demorou da
concepção até à realização e quais as maiores dificuldades que
encontraste pelo caminho?

Esta é uma boa questão, sobretudo porque mudei recentemente o visual da página, introduzindo os logotipos e uma imagem mais estilizada. Numa primeira fase, foi tudo muito orgânico. As duas primeiras sessões fotográficas d’A Gaja (a inicial e a especial Mundial, com a bola de futebol e os cartões) foram feitas na cozinha de minha casa, com uma parede branca como fundo. Esta última (da qual ainda só dei a conhecer um bocadinho…) envolveu uma maior preparação. Entre juntar colaboradores, encontrar um estúdio e uma data em que toda a gente estivesse disponível, reunir roupas e acessórios, acho que demorou um mês e meio. Ao contrário de alguns comentários feitos na página, não creio que aprimorar a imagem d’A Gaja lhe retire autenticidade. Tal como estou sempre à procura de novos temas, para satisfazer os leitores que já lá estão e chamar novos, também acho interessante introduzir novidades do ponto de vista estético.

3 – Em menos de 1 mês, os posts mordazes, sem papas na língua fizeram
com que a página chegasse aos 5 mil likes. Criaste estratégias de
divulgação ou o boca a boca online e offline foram o teu melhor
aliado?

Uma vez que sou jornalista, tenho, no meu perfil pessoal, amigos e amigas muito ativos nas redes sociais e na blogosfera que tiveram a gentileza de partilhar a página. Isso criou um buzz inicial muito interessante, que ajudou a criar uma base sólida desde o início. Em relação a estratégias, penso que a regularidade e a diversidade dos posts foi determinante. Quem segue a página sabe que pode contar com pelo menos um post por dia.

4 – Tens uma linha editorial? Se sim, sofreu transformações com o
decorrer da página?

Não sei se tenho propriamente uma linha editorial. Inicialmente, a ideia era escrever apenas e só sobre relações. Mas depois comecei a pensar que A Gaja (ou qualquer gaja) não vive apenas e só a pensar em relacionamentos. Por isso fui introduzindo gradualmente outros temas, como futebol, política, televisão (quando há uma transmissão de um jogo importante, ou programas de grande audiência que eu ache que tenham momentos passíveis de serem comentados). Tento, apesar do estilo de escrita sarcástico, não ser negativa ou, pelo menos, conjugar posts mais pesados com outros mais leves.

5 – E vais ao encontro do que público gosta ou postas o que te apetece sem pensar em “likes”?

Existe uma tensão permanente entre esses dois fatores. Às vezes caio na tentação de fazer textos sobre um determinado tema, de determinada maneira, porque sei que vou ter uma reação imediata. Mas depois dou um estalo em mim mesma e volto ao registo d’AGaja. Em última instância, faço o que me apetece.

6  – Com o crescimento da página também cresceu uma mulher na Gaja?

A mulher que escreve A Gaja está em permanente crescimento. É preciso não esquecer que A Gaja é uma personagem fictícia.

7 – A Gaja criou novas oportunidades profissionais para a Raquel?

Para já, apenas situações pontuais (como o prefácio do novo livro da Ana Garcia Martins, autora do blogue A Pipoca Mais Doce). Mas haverá certamente novidades em breve…

8 – Com uma base de milhares de fãs, tens em mente alargar o projecto?
Quem sabe uma linha de rolos da massa com frases mordazes, ou um
programa televisivo?

Como se diz na gíria futebolística… prognósticos só no fim do jogo!

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