Foi um dos vencedores do Estágio Improvável da agência Torke. Passou pela equipa de multimédia do Benfica como Head of Social Media e Brand Content. Em 2013, aceita o convite da J. Walter Thompson (actual Wunderman Thompson). E trabalhou marcas como Vodafone Portugal, Cerveja Sagres, Ikea, Galp, Nestlé, entre outras.

Hoje é Formador, Creative e Cocial media consultant mas também Chief Innovation na direção do Lisbon Digital School.

O Paulo Rossas é uma presença habitual no meu feed e na minha cabeça foi sempre o “Sem Merdas”. O Desconstruindo sobre as Redes Sociais está ao seu estilo “sem merdas” e com muitos pontos de reflexão para profissionais, diretores e administrações.

Há administrações ou diretores de marketing que olham muito para as métricas de ego, que podem ser facilmente bombadas com anúncios de interação. Existe ainda uma iliteracia digital?

Ui, vamos por aqui. Existe muita sim, tudo porque este mundo tem muito de instinto e quanto tem muito de instinto o lamber o dedo e dizer “eu acho que” ainda é considerado estratégia. O instinto ajuda, mas é preciso olhar para os Objetivos e para aquilo que as métricas nos respondem para esses objetivos. O “gosto” ainda é a bitola. A minha mãe de 68 anos e entrou no Facebook o ano passado está numa ponta, o Diretor de uma grande empresa está na outra. Todas as pessoas aquilo pelo meio, trabalhando Digital ou não, sabem que se tem muitos “gostos” é bom, se tem poucos é mau. Esta é a bitola hoje em dia. Explicar isto e sair disto é muito complicado.

Facebook, Instagram, Twitter, TikTok, Snapchat, Youtube, Twitch, Pinterest, Linkedin e outras tantas. As redes sociais são tão vastas e por isso não há especialistas?

Ninguém é especialista de coisa nenhuma. Se tens de dizer que és especialista quer dizer que não és. Temos de trabalhar muito, todos os dias, todas as horas para estar a par deste mundo. Estas plataformas mudaram o mundo, mudaram formatos, mudaram formas de pensar. É preciso olhar para as que aparecem e perceber porque estão a ser utilizadas e como vai ser o nosso futuro. Os meus pais viam Tv em 4:3 eu vejo em 16:9 e o meu filho que tem 3 anos vê youtube em 9:16, formato da miudagem que nasceu com um telemóvel na mão.

Quais as marcas que recomendas acompanhar no Tik Tok?

World Healt Organization, Buzzfeed, VibeHouse Pt que é a antiga Team Strada e esta é mais para os pais saberem que um potencial pedófilo ainda anda por aí a construir marcas, ESPN, The Telegraph e se quiseres Royal Palm Properties. Uma bela imobiliária com milhões de fãs e só partilha…casas.

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Os mais jovens estão na linha da frente nas redes sociais e aplicações. Como se pode aprender com eles?

Falem com eles. Aprendam com eles. Absorvam o seu conhecimento. Temos que ser humildes e aceitar que não somos jovens. Ouvir, falar com a mesma linguagem e reconhecer mérito. O Bruno Almeida chegou ao 1 milhão no TikTok e o que eu escrevi foi exatamente o que se passou. Ele apareceu em 2016. É um trabalho de 4 anos, não foi ontem. Isso é valioso para eles, porque compreendo-os. Eles não têm o mesmo conhecimento do que eu, eu procuro todos os dias informação sobre as plataformas, testo as plataformas praticamente todos os dias, tenho excell do TikTok desde Agosto de 2019. Mas esou daquelas pessoas que quer saber mesmo o que se passa e trabalhar o que pode vir a seguir.

Se trabalhar redes sociais para as marcas fosse um episódio de Seinfeld como seria?

Seria o George Costanza Social Media Manager a tentar jantar com uma famosa que conheceu num desses eventos que teve de marcar presença e tirar fotos, num dia em que está a ocorrer algo dessa marca live e tem de postar a todos os momentos.

Conseguiu convencer o Jerry e o Kramer a ir ao evento por ele e enviarem as fotos pelo Whatsapp. Problema, eles tiram só fotos horríveis e não estão a ajudar. E eles está a passar-se porque eles não sabem o que são Stories ou 9:16 e está a perder o timing, quer do trabalho quer do jantar com a famosa, que na verdade tem de ir a esse evento fazer uma presença depois do jantar. Coisa que o George Descobre no final do episódio que ela esteve lá e que podia ter utilizado de borla como influencer para a sua marca e fazer um bom trabalho.

A Elaine vai passar todo o episódio a seguir a marca nas Redes Sociais, ou seja, o evento e a criticar as fotos do George, a falar no grupo deles do Whatsapp, e no final, o George engana-se e mete uma foto dele na marca e é despedido. Ela imprime e forra a casa do Jerry com essa foto.

Acho que era isto.

O alcance orgânico morreu ou quem cava a sua sepultura utiliza como desculpa ao não ter um público, e conteúdos que disputam a atenção com páginas de memes?

O Alcance orgânico não morreu, o que morreu foi a excelência de conteúdo. Quantas páginas vais diretamente? Poucas, só aquelas que realmente tem coisas que gostas. O truque é esse. “Deixa cá ver o que eles andam a fazer!” Geralmente essa malta faz o quê? Coisas geniais e incríveis. Tão fácil como isto. As plataformas são grátis, os fãs são grátis, paguem bem às pessoas para fazer bom conteúdo que as pessoas realmente gostem. É mesmo assim tão simples.

As publicações com um conceito ou em real-time são uma forma de arte moderna?

Sim. As publicações com conceito deviam ser vistas ao mesmo nível de um Mupi. Na verdade um post é visto mais vezes do que um Mupi. Se é visto mais vezes do que um Mupi, porque raio não se fazem coisas com a qualidade de um bom Mupi? “Porque é um post!” Por favor, ganhem juízo. Estas publicações são intemporais e contam a história da marca. Vejo hoje ou daqui a 10 anos e percebo o que a marca me quer dizer.

Real-time é um aproveitamento. Não é intemporal. É ir na onda. Nós fãs estamos muito mais abertos a ver vários posts sobre o mesmo tema porque já sabemos qual é. As marcas devem usar o Real-time claro mas sempre com alguma ligação à marca, fazer por fazer é demasiado básico e redutor. Problema: Eu acho, desculpa, eu tenho a certeza que 8 em cada 10 Social Media Managers não sabem o que é um Insight, um Conceito e uma Ideia Criativa e isso dificulta o bom conteúdo.

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Como se gere a criação do real-time às 22 horas, mas os responsáveis pela conta estão num aniversário ou em outra atividade social?

Com dinâmica, com trabalho, com saber que tem de trabalhar porque é o seu trabalho e vai chegar a mais pessoas se o fizer. Qualquer pessoa que trabalhe Redes Sociais e se queixe por ter de fazer isto, sabendo que vai chegar a mais pessoas e é bom para a sua marca, não percebe este mundo. Está cá porque ganha uns trocos. Esse é um dos vários problemas deste mundo. A malta que está cá só porque não tem mais nada e pensa que é fazer posts. Não é. Isto é muito mais descobrir insights, conceitos e boas ideias.

Em marcas mais pequenas é normal “Influencers” pedirem produtos em troca de divulgação. Em alguns casos mais de 50% dos seguidores são homens. E não é enviado nenhum dado de vendas e CTR em stories de produto. Há uma grande diferença entre ser a “Pipoca Mais Doce” e “Pipocas com Mais Fotos com Bikinis”?

Grande parte das influenciadores e influenciadores falam com o corpo e não com a sua boca/cérebro ou se preferirem dedos de teclar. Já perceberam o truque, tiram roupa e a comunidade cresce. Tenho dois amigos, um segue 8000 pessoas, gajas de bikini e o outro 5000, gajas de bikini. Algum dia vai comprar um produto? Não! É um falso reconhecimento de trabalho. Culpa dos influenciadores, que não percebem que se estão a destruir e das marcas que só olham para a métrica do “gosto” e do “alcance”. Um influenciador devia ser um “Rock Star”, uma pessoa que dentro da sua Comunidade é uma estrela, e não um cardápio ou uma capa de um filme porno. Andamos muito errados na definição e as marcas são culpadas. São quem paga a festa e deviam pelo menos informar-se sobre este mundo.

Que ex-jogador do Benfica colocarias num Estágio Improvável em uma agência de publicidade na tua equipa de Social Media e Copywriting?

Obviamente o Paulo Lopes. Team player, engraçado, com coragem para fazer tudo o que pedirmos e sei que é boa onda. Além de tudo isso, tem os seus fãs e é genuíno e nesta área, é preciso isso. #NoBullshiting é das melhores valências que temos de ter.

Se a tua vida fosse uma campanha em Social Media como seria?

Seria um post orgânico do Dia de fazer o gesto do surfista. Provavelmente dava viral e ninguém conseguia explicar o porquê, e é isso mesmo que torna isto tudo muito mais interessante. Não conseguir explicar de onde é que veio, onde está ou muito menos para onde vai.

Desconstruindo #1 João Geada e a Publicidade “Acho a palavra certa no contexto certo vale mais que mil palavras”

Desconstruindo #2 Raquel “Esta Pessoa” e o Storytelling ” “Independentemente da forma que damos às histórias, vamos sempre ter que partir de uma reflexão muito pessoal”

Desconstruindo #3 André Amorim, o Desporto e as Pessoas nas Empresas “Quando se sentarem diante de um candidato procurem conhecer a pessoa em vez do profissional.”

Desconstruindo #4 Elsa Fernandes e a Escrita Web “Para comunicar as suas mensagens, as marcas não precisam (nem devem) sacrificar a verdade.” 

Desconstruindo #5 Carlos Guimarães Pinto e Portugal ” A única forma sustentável de aumentar salários é termos mais empresas a competir pelos mesmos trabalhadores”

O Desconstruindo é uma rubrica onde se dá voz a profissionais numa desconstrução de um tema, e por vezes, de forma algo filosófica mas muito prática e real.

One thought on ““O alcance orgânico não morreu, o que morreu foi a excelência de conteúdo”​

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