Foi atleta de alta competição, participou na seleção nacional de basquete, e também foi campeã de kickboxing. Com mais de 11 anos de experiência, conta no seu portefólio com marcas como a Danone, Disney, Deloitte, Nestle e Microsoft. Com passagens pela Brandel em África à dinamarquesa Green Innovation Group, atualmente é CEO da Business Avenue, empresa que criou para ajudar empresas no Desenvolvimento de Negócios.

Foram duas frases da Vera que me levaram a pensar “É a convidada ideal para falar de negócios nos Desconstruindo”.

A primeira foi “Portugal, muito por ser um país “anfitrião” de outras culturas, tem um sentido de serviço muito forte. Independentemente da área de negócio, assisto muitas vezes o cliente a controlar o empresário e não o contrário.”

e um excerto no blog em inglês “(…)Numa das sessões estratégicas destes projectos, estava em curso um debate sobre um produto direccionado para a população local onde a marca sabia conscientemente que iria causar graves problemas de saúde e ainda assim a estratégia foi aprovada. Foi a primeira vez que saí de uma reunião, de um projeto e de uma carreira, no mesmo momento, apenas para dar voz aos meus valores.”

Portanto foi difícil escolher um título porque muito que diz é possível “quote”!!

Vera Costa Pereira no Desconstruindo #9 sobre Desenvolvimento de Negócios

Tal igual num combate os negócios podem ser um carrossel de emoções e dificuldades. A resiliência psicológica e a agilidade são o fator chave do sucesso para ser um Rocky em vez de um Rookie?

A tua pergunta fez-me viajar para um cenário com empresários ao som do “Eye of the Tiger” a subir energicamente as épicas escadas do Rocky.

Sabes eu sou uma defensora fervorosa da resiliência como principal “drive” para o sucesso, não acredito que consigamos nos apoiar na motivação nem no sonho, porque estes vão e vem. Agora a resiliência (e um toque de teimosia) é a capacidade que distingue os bem sucedidos, basta pensarmos nos indivíduos que admiramos, nas diversas áreas.

A resiliência permite executar e esse é o caminho mais perto entre o que somos e o que queremos ser.

Quando analiso uma Startup, analiso primeiro se o empresário tem os 3 C’s, i.e., se começa, se continua e se conclui os seus objetivos. Só assim nos podemos focar em fazer a empresa crescer.

Como o Desenvolvimento de Negócios e as Vendas podem trabalhar em conjunto para uma maior lucro?

Tínhamos pano para mangas, mas de forma prática o desenvolvimento de negócio é o ato de operacionalizar a estratégia.

Para começar é preciso interiorizar que um bom negócio sabe onde está e para aonde vai. Caso não tenha uma estratégia sua então significa que segue a estratégia dos outros, o que deixa o negócio fora de controle e à deriva.

Quando os objetivos estratégicos são desconstruídos em táticas para a organização estamos assim todos a remar para o mesmo lado, e os resultados surgem em mais vendas, mais faturação e mais liquidez. Este estado é a chamada “pilotagem”.

Mas nota, que muitos empresários têm como objetivo estratégico a faturação e isso limita-os à nascença.

O online e o crescimento do e-commerce e plataformas como o Shopify facilitam o lançamento de um produto mínimo viável e o teste ao mercado? E quais são os maiores erros ao lançar um produto e quais são os próximos passos cruciais após os testes?

A metodologia Lean veio revolucionar as startups e a criação de MVPs, contudo entrar no mercado com um produto frágil pode causar dissabores como, critica negativa, desajuste entre o preço real e o custo, problemas de distribuição, canibalização por parte dos players com mais recursos, entre outros.

O maior erro é o empreendedor não criar o MVP em torno do cliente e do seu perfil. O que eu quero dizer com isto, é que eu posso ter a melhor ideia do mundo, mas se não for vendável não adianta de nada. Outro erro é não fazer uma boa análise de riscos de modo a antecipar ou até mesmo colmata-los. Não me canso de reiterar a importância da estratégia em todas as fases do negócio.

Quanto aos próximos passos um dia ouvi a Sara Blakely – criadora da Spanx e presença assídua no Shark Tank USA – numa palestra a dizer o seguinte “The first thing you do is to hire your weakness.”, tenho de concordar com ela.

E quais são as maiores diferenças que notas em estratégias não tão funcionais e em estratégias com maior resultados? 

Posso apontar duas, que na minha opinião são transversais, a primeira são as crenças limitativas dos empresários. A estratégia não é boa apenas porque sempre se fez assim, a estratégia é boa quando agrada ao cliente ao ponto de o fidelizar e tem um bom retorno financeiro. De outro modo trabalhamos para aquecer e ninguém escolhe ser empresário para uma vida assim.

A segunda, vai de encontro aos empreendedores e ao mundo “iludido” das startups, a inovação é uma técnica para nos diferenciarmos no mercado e só pode ser considerada inovação se der frutos, senão é somente uma ideia. Temos e devemos construir as nossas ideias em torno de um cliente tipo, que normalmente sofre de alguma frustração ou dor que, o nosso produto vai colmatar.

O mundo dos negócios pode ser duro e com um grande foco no dinheiro. Como África mudou a forma que vês a vida e os negócios?

África tornou-me justa, verdadeira e a valorizar mais ética nos negócios que o dinheiro.

Eu sempre trabalhei com empresas com cultura nórdica, a primeira foi irlandesa, depois alemã e por aí em diante. Quando cheguei a Moçambique, foi um choque cultural imenso, um verdadeiro teste à minha resiliência enquanto ser humano e profissional. Vi muita coisa boa a acontecer, e tive oportunidade de lançar produtos que deixaram marca na sociedade moçambicana.

Por outro lado, vivi a crueldade da ambição. Perceber que eu fazia planos go-to-market de milhões e os operacionais que os executavam tinham um ordenado de 100 euros, foi das realizações mais duras da minha vida.

Por isso, hoje sou justa no meu preço, justa com os meus colaboradores e não faço floreados aos meus clientes.

Escreveste que “Aprendi a trabalhar fora de Portugal uma das lições mais complexas do mundo empresarial, a ginástica entre a empatia e a assertividade(…)”. O controlo por parte do cliente coloca a empresa ou o empresário de pernas para o ar? 

Garantidamente. Cria arrombos brutais na liquidez, pressão na equipa e no empresário.

Dou muitas vezes o exemplo do hamster na roda que corre, corre e não chega a lado nenhum, é desgastante.

E após o “pino” é possível voltar a ter controlo?

Claro que sim. Tem de se começar a pensar de outro modo, acrescentando valor ao nosso produto/serviço nos bons clientes – uma dica que costumo dar é pensar num rácio 1:10 em que 1 é o valor que o cliente paga e 10 são as coisas que recebe em troca – enquanto os educamos nas novas regras da casa.

Os clientes nocivos irão naturalmente à vida deles, e os novos já entram numa cultura diferente.

Parece fácil, mas como alguém comentou recentemente num dos meus posts “é na complexidade da simplicidade que está a dificuldade”.

Qual o resultado da tua carreira que destacarias num livro de negócios e qual foi a estratégia para alcançar?

Ufa são muitos, mas vamos lá…

A título de contexto, e para que percebas o porquê da estratégia, um dos grandes problemas de trabalhar com mercados africanos são as transações em dólares e a dependência que as empresas têm dos bancos e da disponibilidade de moeda.

Na altura eu trabalhava como Diretora de Desenvolvimento de Negócio na Brandel, uma agência de Marketing local, que representava grandes marcas e fazia campanhas milionárias.

O que seria ótimo, não fosse o constrangimento constante com o banco. Repara que não entrando a adjudicação para cobrir os custos, tínhamos de ser nós a adiantar o dinheiro. Estás a ver onde estava a crise financeira…

Na altura o que eu fiz foi criar um produto de publicidade estática, onde o meu cliente como, por exemplo, uma Unilever, pagava um ano de serviço na adjudicação com um markup de 20%, mas eu localmente geria e negociava com fornecedores mensalmente. Para além de garantir a almofada de capital que nos permitia adiantar pagamentos para as campanhas a decorrer, ainda conseguimos lucros na ordem dos 40% sem um grande esforço.

Se a tua vida fosse um livro, como seria a sinopse? 

Nascida a 4 de fevereiro de 1985 e criada em Quarteira, na altura ainda vila, demonstrei cedo uma forte determinação e engenho para contrariar as adversidades da vida. Dificilmente me ficava com um não. E por isso aprendi muito cedo a ser adulta e a conquistar o meu lugar a pulso.

Aprendi o que era contabilidade aos 6 anos, o que recordo com alguma leveza pois era uma maneira do meu pai me manter por perto já que tinha 2 trabalhos e a minha mãe estudava à noite. Esses momentos de “brincadeira” adoçaram-me a boca para o mundo empresarial e desde de cedo soube o que queria ser quando cresce-se… EMPRESÁRIA. Fui atleta de alta competição, participei na selecção nacional de basquete estando em competições internacionais, mais tarde consagrei-me como campeã de kickboxing.

O desafio é o drive que me motiva, a conquista e a forte ética profissional que adquiri do meu pai.

Por eu ser uma mulher de causas, os valores humanitários pautaram todo o meu caminho na vida adulta, encarar a pobreza e desigualdade são aqueles momentos únicos no crescimento emocional de alguém. África é um choque, daqueles que nos percorre o corpo, deixamos de saber quem somos por momentos.

Ao longo da minha carreira, trabalhei em dezenas de projetos em 16 países, ajudando empresas a encontrar parcerias ou soluções criativas que transformaram as suas propostas tornando-as efectivas e atractivas ao mercado.

Com mais de 11 anos de experiência, conto no meu portefólio marcas como, Danone, Disney, Johnny Walker, Nestle, Compal, Smirnoff, Mariotte Hotel, Huggies, Unilever, KPMG, BCG, Deloitte, BPI France, Grant Thornton, PwC, Best Bank, Caixa Geral de Depósitos, Nova, AWS, Microsoft, Catapult energy systems e Sector Públicos, como o Ministério do Mar em Portugal e Foreign and Commonwealth Office Reino Unido entre tantas outras.

Sou uma mulher de convicções fortes, quem fala comigo percebe a alma que dou a tudo o que me proponho e hoje a minha missão, é capacitar pessoas e negócios a se unirem e elevarem os seus resultados.

Desconstruindo #1 João Geada e a Publicidade

“Acho a palavra certa no contexto certo vale mais que mil palavras”

Desconstruindo #2 Raquel “Esta Pessoa” e o Storytelling ”

“Independentemente da forma que damos às histórias, vamos sempre ter que partir de uma reflexão muito pessoal”

Desconstruindo #3 André Amorim, o Desporto e as Pessoas nas Empresas

“Quando se sentarem diante de um candidato procurem conhecer a pessoa em vez do profissional.”

Desconstruindo #4 Elsa Fernandes e a Escrita Web

“Para comunicar as suas mensagens, as marcas não precisam (nem devem) sacrificar a verdade.” 

Desconstruindo #5 Carlos Guimarães Pinto e Portugal

” A única forma sustentável de aumentar salários é termos mais empresas a competir pelos mesmos trabalhadores”

Desconstruindo #6 Paulo Rosas e as Redes Sociais

“O algoritmo não morreu, o que morreu foi a excelência de conteúdo”

Desconstruindo #7 Vanessa Carreiro Amaral, a Twitch e o Gaming

“A Twitch é ainda um diamante em bruto, com um potencial gigantesco”

Desconstruindo #8 Pedro Machado, Seo, e o Humor nos Conteúdos “Em muitos anúncios sobre SEO vê-se o equivalente aos comprimidos de emagrecimento”

O Desconstruindo é uma rubrica onde se dá voz a profissionais numa desconstrução de um tema, e por vezes, de forma algo filosófica mas muito prática e real.

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