Não me recordo exatamente como parei no conteúdo da Bárbara Bação, contudo creio que cliquei numa publicação sugerida no Instagram.

Ao ver o conteúdo informativo e alguns com uma pitada de sarcasmo…googlei (a pesquisa começa antes do convite *fun fact*) e parei no seu site e blog, ambos muito profissionais.

Licenciada em Comunicação Social e com uma pós-graduação em Marketing, começou a trabalhar no Digital em 2009, na Microsoft Portugal, onde foi editora e produtora de conteúdos. Em 2013, criou o blog Living In B’s Shoes, com a particularidade de ter apostado também no e-mail marketing.

Hoje em dia, dedica-se à Consultoria de Criadores de Conteúdo e Pequenos Negócios nas redes sociais e é Directora de Marketing & Comunicação da APF – Associação Portuguesa de Franchising.

Bárbara Bação é a convidada para Desconstruir Influencers (sem tabus)!

Houve uma diminuição na produção de conteúdo em Blogs com a evolução das Redes Sociais e o boom de sites como a NIT. Em 2020, ainda é importante influencers terem um blog? 

É uma boa pergunta. Depende muito do que o influencer pretender, do que for o seu objectivo com o seu projecto digital. Alguém que queira lançar um negócio, por exemplo, terá sempre muitas vantagens em ter um site / blog.

Afinal, os motores de busca continuam a ser o sítio onde todos nós fazemos pesquisas directas para responder aos nossos problemas e um bom criador de conteúdo, que esteja bem posicionado no Google, terá sempre mais visualizações e, portanto, uma excelente moeda de troca para mais tarde vir a trabalhar com as marcas que ambiciona ou até mesmo para lançar os seus produtos ou serviços. 

A questão é que a esmagadora maioria dos influenciadores digitais – ou que se intitulam como tal – têm apenas a pretensão de ganhar coisas “de borla”, sejam produtos ou serviços. De ganhar a fama mas com pouco trabalho. E, para esse tipo de “influencers” basta um perfil de Instagram com umas fotos bonitas. 

Quem quer ir mais além e eventualmente até ter uma verdadeira carreira no digital, ampliando os seus lucros, ter um blog pode ser uma excelente alternativa. Posso dar-te o meu exemplo pessoal que, em 12 meses, consegui retirar mais de 2.000 euros de marketing de afiliados graças a posts bem posicionados no Google para uma determinada keyword. 

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Há um grande profissionalismo e trabalho de Marketing (pensar artigos para SEO, E-Mail Marketing, etc) nos teus projetos. Como foi começar do 0 até aos erros/aprendizagens que moldaram as dicas para as sessões de consultoria? 

Obrigada! Na verdade, tem sido uma aprendizagem muito longa e que está longe de terminada. Afinal, a beleza e o desafio do mundo digital é mesmo esse – estar em constante mutação.

Sabes, quando comecei o meu percurso profissional, fi-lo num estágio curricular na Microsoft que se tornou no meu primeiro contrato de trabalho. Durante quase quatro anos, fui editora do MSN Portugal e, para além de escrever vários conteúdos, fazia a curadoria, email marketing e redes sociais. 

Muito mudou desde então mas foi aí que tive a certeza que o meu caminho era no digital e não nos jornais, como ambicionava quando me inscrevi na licenciatura em Comunicação Social. 

Comecei com o meu blog pessoal, o Living In B’s Shoes, há quase 8 anos e foi, sem dúvida, um espaço de muitas tentativas-erro em todos os campos: escrita para motores de busca, edição de imagem, estratégia digital, email marketing, comunicação nas redes sociais, parcerias com marcas.

Mas como realmente era apaixonada por este meu hobbie, o caminho fez-se naturalmente. Rapidamente abracei várias pequenas formações mais específicas na área do digital para aprofundar conhecimentos em vários temas como SEO, gestão de redes sociais, etc e que me tornaram mais estratega na minha comunicação. 

Daí até à Consultoria foi um passo quase natural que surgiu, primeiro, com um convite e que, depois, continuei a abraçar sozinha. 

Estar do lado dos criadores de conteúdo há mais de sete anos dá-me uma grande perspectiva de quais são as suas dificuldades e necessidades, tornando-se mais fácil para mim chegar até eles porque eu estive (e estou) do lado deles. 

Tens uma frase: – “ Tu não és influencer, tu és modelo no Instagram”. Qual a diferença entre ser INFLUENCER e “influencer”? 

Para mim a diferença é mesmo entre “modelos de instagram” e “criadores de conteúdo”. No fundo, todos somos influenciadores (somos influenciados pelos nossos pais desde que nascemos e influenciamos os nossos amigos e famílias com as nossas escolhas).

A diferença está em se o fazemos de forma consciente (criadores de conteúdo) ou não. 

Aquilo a que chamo “modelos de Instagram” são pessoas que simplesmente têm fotografias bonitas no Instagram. Entras nos seus perfis e são verdadeiros catálogos, com imagens de tirar a respiração. Mas, quando abres qualquer uma das sua fotografias, não tem legenda – não tem conteúdo nem valor. 

E está tudo bem! Há espaço para todos mas, nesse caso, para pessoas que não têm um nicho e que só estão preocupadas em ter um feed esteticamente apelativo, são, para mim, “modelos” e não “criadores de conteúdos”. Para as marcas que giro nas redes sociais, nunca fará sentido trabalhar com um “modelo de instagram” porque não há qualquer conteúdo relacionado.

As pessoas seguem essa página simplesmente porque gostam das suas fotos, eventualmente para replicarem. Mas não as seguem para aprender nada, como autoridade em determinado assunto. 

E esse, para mim, é o diferencial entre os dois conceitos. O “criador de conteúdos” é alguém que tem um nicho bem definido, que conhece bem o seu público e cuja preocupação é criar conteúdo que responda às necessidades dessa sua comunidade. 

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Mas as marcas (pequenas ou grandes) dão borlas ou pagam a “influencers” com mil fotos de biquíni ou que estão em esquemas de troca de “100 comentários” para falsear engagement (e com tal nem ganham seguidores nem vendas)…

Não nos podemos esquecer que, na grande maioria dos casos, quem está a fazer gestão das redes sociais das marcas não são pessoas que tenham real conhecimento de redes sociais. Muitas vezes são os próprios empreendedores/empresários que tendem a acumular funções. 

Por outro lado, reconheço que, para alguém que tenha pouco conhecimento na matéria e uma marca relativamente pequena, receber um pedido de parceria por parte de um “influencer” com 40.000 seguidores é quase como que um elogio. Mas é preciso ir além e “esmiufrar” esses números. 

Faço gestão de redes sociais de algumas marcas portuguesas e vou dar-te um exemplo que aconteceu comigo.

Recebi uma mensagem de um “influencer” nacional a pedir produtos de borla. Simples assim! Sem uma proposta, sem me apresentar a sua audiência, as suas mais-valias. Nada! Quando entrei no perfil dele, realmente a página estava esteticamente bem conseguida, com um feed apelativo e uns 40.000 seguidores que causavam logo um grande impacto. 

O primeiro erro: o perfil dele em NADA tinha a ver com os produtos da minha marca. Aliás, o segundo erro, visto que o primeiro foi a forma amadora como contactou a marca.

O terceiro erro, e absolutamente fatal, é que tinha cerca de 30 likes por foto algo que, com um perfil com 40.000 seguidores, é uma red flag gigante que demonstra que, quase de certeza, foi tudo comprado. 

Falta às marcas a consciência de que é necessário ter um gestor de redes sociais ou, pelo menos, informarem-se mais. O número de seguidores está longe de ser tudo, bem como fotografias bonitas. 

Se o “influenciador” não tiver uma comunidade envolvida e não tiver o mesmo nicho da marca, a parceria não terá grandes frutos.

E, para uma marca mais pequena, as consequências de andar a dar produtos “de borla” a influencers que não trazem retorno, pode ser pesada. Já as marcas grandes, essas estão mais preocupadas em espalhar os seus produtos e criar awareness, porque têm produtos para “dar e vender”. 

Como vês a posição de grande parte dos agentes de influenciadores e o respetivo inflacionar do preço (devido à comissão), mesmo sem garantirem um número de vendas para as marcas?  

Sinceramente sempre fugi desse tipo de agentes a sete pés.

Enquanto criadora de conteúdos, custa-me pensar em ter alguém que não eu a gerir as minhas colaborações com marcas. Prefiro receber um pouco menos mas garantir que trabalho apenas com as marcas que quero – aquelas com as quais me identifico e que sei que fazem sentido para a minha audiência. 

Quanto uma marca me pergunta quantas vendas eu consigo garantir, respondo sempre que não dou garantias porque é impossível para mim aferir esses resultados à partida.

A vantagem do digital e dos códigos de desconto, por exemplo, é que se permite ter uma noção exacta, mas apenas no final da campanha. Até lá, o que o influenciador digital pode garantir é um determinado número de publicações. 

Claro está que tudo isto é um negócio e como vários perfis cresceram de forma astronómica, começaram a surgir os agentes que, inteligentemente, colocam a sua percentagem nos valores da colaboração. 

A decisão final é sempre das marcas – se considerar que aquele influenciador, mesmo pagando mais, justifica o investimento, então vai avançar.

Conheço várias marcas que ao invés de quererem pagar mais de 10.000 por um post num perfil como o da Helena Coelho, preferem espalhar esse orçamento por 100 influenciadores digitais mais pequenos do mesmo nicho, ampliando o “buzz”. 

O agente deve trabalhar como um “parceiro” e representante do influenciador digital, escolhendo as marcas que façam sentido e facilitando o trabalho em conjunto.

No entanto, conheço vários casos em que os agentes eram tão “gulosos” que acabaram por fazer o influencer perder várias oportunidades de parcerias com marcas de grande renome, pedindo valores demasiado elevados.

Por esse motivo, e para não perderem oportunidades que consideravam preciosas, muitas pessoas já abdicaram dos agentes. Outras, por seu lado, vão iludidas no sentido de terem mais parcerias e alguém que “trabalhe para elas”. 

Trabalhas com perfis com um nicho bem definido, exemplo da Madalena Faria e a página Uma Madalena Glúten Free. Ter uma boa história ou um nicho segmentado é a base para começar a criar uma audiência? 

Sem dúvida! Eu diria até que é mesmo a MELHOR forma! A Madalena Faria é um excelente caso disso mesmo que, por motivos de saúde, precisou de cortar o gluten da sua vida. E, de forma muito inteligente, criou o seu projecto digital de receitas sem glúten para uma comunidade exactamente como ela! 

Por vezes, no caso destes nichos, o crescimento é mais lento e o número de seguidores nunca é tão elevado quanto um perfil mais generalista.

São muito menos as pessoas que procuram receitas sem glúten do que aquelas que procuram qualquer tipo de receita. Contudo, a grande vantagem é que quem segue estes perfis com nichos bem definidos é porque realmente se interessa pelo assunto. 

Logo, se um dia esse influencer quiser lançar um produto, serviço ou negócio nesse sector, a probabilidade de ser bem aceite é muito elevada. E, por outro lado, o seu perfil torna-se muito apelativo para marcas do mesmo sector. 

Por exemplo, se a Madalena um dia decidir lançar um ebook ou workshops de receitas sem glúten, com certeza que irá ter sucesso junto da sua comunidade porque quem a segue é precisamente para saber mais sobre receitas sem glúten. 

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Há uma tendência em crescendo de Influenciadores venderem os seus próprios produtos. O passo seguinte após criar e nutrir uma audiência (mesmo de nicho) é de vender produtos físicos ou digitais? 

Considero que a forma mais rentável e estável de fazer dinheiro nas redes sociais, como influenciador digital, é lançarmos os nossos próprios produtos ou serviços. Conseguir parcerias (bem) remuneradas e de forma contínua é muito difícil ainda em Portugal, pelo que termos os nossos próprios produtos/serviços é uma estratégia muito inteligente. 

É claro que, primeiro, e como disseste muito bem, é preciso nutrir a audiência. Não podemos criar uma página de Instagram hoje e esperar que, amanhã, estejamos a ganhar rios de dinheiro. 

Precisamos de ter um nicho bem definido, criar conteúdo de qualidade para a nossa audiência, ser consistentes e tornarmo-nos uma autoridade num determinado assunto. Quando assim o for, mais fácil será a venda de qualquer produto, como vimos acima no caso da Madalena. 

Tens o meu próprio caso: só após quase 5 anos enquanto criadora de conteúdos, e só depois de conquistar uma comunidade de alguns milhares de seguidores envolvidos, é que me dediquei à Consultoria para Criadores de Conteúdo.

E, claro, quanto mais dicas gratuitas ia partilhando no meu feed de Instagram e no meu blog, mais a comunidade me via como uma autoridade na matéria. Logo, quando comecei a lançar os meus ebooks e a anunciar mais a Consultoria, a aceitação foi muito maior! 

Com o excesso de informação diária faz sentido as marcas investirem em apenas uma publicação ou story? 

Depende muito de qual for o objectivo da marca e do seu orçamento. Na maioria dos casos, acho que o que faz mais sentido é o conceito de “embaixador”. Ou seja, uma parceria a longo prazo entre a marca e o influenciador digital para que a relação seja real, também aos olhos da comunidade.

Sabes, a nossa audiência é muito atenta. Quando usamos um produto recorrentemente, vai ficando interiorizado na nossa audiência que, embora possa ser uma parceria, nós realmente usamos aquele produto ou serviço no nosso dia-a-dia. E isso traz uma maior segurança a quem nos segue. 

Dou-te um exemplo concreto. Tenho uma parceria com a Huawei há vários anos e quem me segue já se apercebeu que é muito mais do que receber o relógio, o telemóvel e outros equipamentos. É que eu uso-os realmente no meu dia-a-dia! Mesmo quando estou a fazer Stories distraída, o relógio está lá. 

Sermos “embaixadores” de uma marca ajuda a dar credibilidade aos olhos da nossa comunidade, e isso é o mais importante. Por isso, sempre que posso, prefiro apresentar/aceitar propostas que sejam a médio-longo prazo porque considero que faz muito mais sentido do que uma publicação pontual – tanto para as marcas, como para mim. 

Se a tua vida fosse um artigo de um blog como seria o título?

Do blog para a Consultoria – Porque nunca deves parar de sonhar 

(PS: título não optimizado para SEO 😉 )

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s