O Miguel Pinto Ferreira apareceu um dia num anúncio do Facebook. Cliquei e a partir daí acompanho o seu canal de Youtube quase religiosamente (até oiço em temas que nem domino).

Ele fala da teoria do diagrama em árvore e na verdade mostrei o canal a um amigo meu. Em 6 meses, o canal cresceu rapidamente e atingiu recentemente os 10 000 subscritores.

Além do Youtube, tem a loja online solidpop e é gestor de marketing freelancer.

Desconstruindo #15 Miguel Pinto Ferreira, o Youtube e as Vendas Online

Começaste no Youtube, paraste, voltaste em força e em poucos meses chegaste aos 10 000 subscritores. Como as bases de Marketing ajudaram e os feats com outros canais (Miguel Raposo, Luís Pinto, etc)?

Isto do youtube foi toda uma aventura. Sempre quis fazer youtube, aliás, eu já queria fazer youtube antes de saber o que era youtube: pegava em câmaras e fazia skits parvos com amigos e era super divertido, mas depois não tinha onde os publicar.

Desde que o youtube começou a ser uma “cena” eu seguia youtubers e queria fazer o que eles fazem, mas nunca juntei a coragem e motivação para o fazer. Foram precisos vários anos, criar independência própria , financeira e estar confortável nesse sentido para finalmente ganhar coragem para seguir o meu “sonho” de criar conteúdo e entreter outras pessoas.

Essa primeira experiência no youtube que depois “parei” foi na realidade o arranque para perder a vergonha, filmei meia dúzia de vídeos todos seguidos no mesmo fim de semana, sem pensar, sem nenhum planeamento e publiquei para tirar essas dúvidas parvas da minha cabeça.

Parei porque aconteceu algo que me obrigou a parar, mas mal a vida voltou a orientar-se resumi em força com um plano bem definido.

O plano era: vou criar conteúdo que acho “fixe”, vou experimentar várias coisas diferentes e ver o que acontece.

Já sabia o tipo de conteúdos que queria criar, só não sabia se os poderia conciliar principalmente num canal português, então primeiro tive de testar para ver o que acontecia.

As bases de marketing ajudaram, claro, mas de uma forma mais subtil – com o tempo e experiência vou ganhando várias skills de marketing que aplico em muitas situações mas já por instinto, nem dou por ela que as tenho.

Sinto-me sempre “burro” e até estranho quando pessoas me querem pagar pelo conhecimento que tenho. A questão de testar coisas, ler as métricas e interpretar os resultados, é onde entram as skills de marketing que já as executo sem pensar.

A entrada de pessoas como o Miguel Raposo, Luís Pinto e muitos outros vem da necessidade inerente a ser criador de conteúdo de constantemente fazer networking. A diferença entre um “influencer” que trabalha com marcas e um que não trabalha com marcas, às vezes passa mais pela sua capacidade de networking do que na qualidade do seu conteúdo ou tamanho da sua audiência. Não faltam por aí youtubers pequenos com parcerias e youtubers grandes sem parcerias.

Em 6 meses de trabalho “real” no youtube (não conto aquele fim de semana de fazer vídeos à sorte para perder a vergonha) não só consegui atingir o incrível número de 10,000 subscritos, mas também consegui a minha primeira parceria paga. Estou bastante contente com os resultados que consegui, principalmente porque me diverti bastante pelo caminho.

Tens vídeos em que pegas em temas do momento (num nicho ou mais abrangente), como por exemplo, o vídeo onde acabas com o mito que o ecrã do iPhone 12 risca facilmente. Os temas do momento são “singles” que levam algumas pessoas às outras “faixas”? 

Sem dúvida, é uma óptima forma de descrever: ao criar conteúdos “do momento” traz pessoas para o canal e a minha esperança (que acredito que tem resultado) é que as pessoas entrem pelo tema, fiquem pela minha personalidade e forma de o abordar.

Se conseguir com que as pessoas fiquem pela minha personalidade, no fundo já venci, porque a partir daí posso criar o conteúdo que quiser. Isto faz sentido porque quando faço o conteúdo que quero, faço-o com um enorme gosto e entusiasmo, depois isso nota-se na qualidade dos vídeos.

Prefiro falhar a fazer o que gosto que ter sucesso a fazer o que não gosto. Mas já agora, eu só pego em conteúdos “trendy” que gosto – às vezes passam muitas oportunidades mas que não me apetece fazer, então não faço.

Os thumbnails com boca aberta, apontar o dedo e os títulos com caps lock é como um grito de uma peixeira num mercado a chamar para a sua banca ou existe uma ciência por detrás? 

Infelizmente existe uma ciência por detrás. Está mais que provado que esse tipo de thumbnails é o que as pessoas mais clicam. Existe um histórico gigantesco e estudos sociológicos que o comprovam.

Não me esqueço das palavras de um dos maiores youtubers de tecnologia do mundo, o “Linus Tech Tips”, em que ele diz que adoraria fazer thumbnails diferentes sem essas caras parvas, mas infelizmente tem um negócio para gerir e já reuniu vários experts para estudar o assunto e sabe que aquelas thumbnails são as únicas que resultam.

Existem SEMPRE excepções como é óbvio, nada é 100% garantido no YouTube.

Além do Youtube, tens já tens uns anos de vendas no online. Desde impressão 3D, modelos 3D no Cgtrader a vender no Etsy, onde as pessoas até vendem pedras. Como foi a jornada da Pistola do Han Solo aos Cosplayers? 

O negócio principal de ecommerce que tenho de momento é a solidpop.com, um negócio do nicho da cultura pop. Isto evoluiu de um mini negócio de impressão 3D que começou na Etsy, a vender “props” para coleção , acessórios para Cosplay, acessórios para gadgets e bugigangas.

Há coisa de 3-4 anos atrás Cosplay estava trending, havia um grande boom ao nível de número de convenções estilo “Comic Con” pelo mundo fora, então havia uma procura gigante por adereços e fatos completos alusivos filmes, TV, videojogos.

À medida que esse trend foi caindo e honestamente me fui fartando (não vamos esquecer que é um trabalho maioritariamente artesanal) fui evoluindo o negócio para muito mais do que “uma lojinha na Etsy”, sendo agora uma marca definida que vende uma grande variedade de produtos para o mundo todo.

Entre o mistério e a novidade pop há uma ligação estratégica entre a procura e a oferta. Qual a estratégia para de Braga alcançar o mundo? Por exemplo, no Youtube um senhor do Reino Unido fez um Unboxing do “Studio Ghibli Mystery Box”…

No fundo um negócio online como este, onde está situado não tem grande relevância.

Neste caso estar em Portugal ajuda em algumas coisas e prejudica em outras. As que ajuda é o facto de termos um serviço de CTT relativamente eficiente mas extremamente barato comparativamente com outros países.

A partir do momento que se cria um site em inglês com uma boa estratégia de marketing, chega-se ao mundo todo como se fossemos vizinhos. Esse senhor britânico é um de muitos que compram os nossos produtos para depois fazer review no youtube, blogs etc.

É incrível poder ver pessoas de lugares e culturas completamente diferentes a reagir aos nossos produtos.

Num podcast referiste a venda do “Doce favorito do Howard Big Bang Theory”. Há anúncios específicos para fãs de algo ou é um trabalho de SEO e construir uma comunidade? 

Penso que falei nisso no podcast “Eu é mais jogos” no futurebehind.

É um bocadinho de ambos, se fizer “targeted ads” para fãs de uma série e fizer uma referência que tem um bom lugar no coração deles, rapidamente vão perceber que a solidpop é também fã da série, sentir empatia não só com o produto mas também com a marca.

Ao mesmo tempo ajuda a rankear no google de forma diferente, a juntar as keywords populares da série com o produto em si ajuda a rankear o produto de outra forma. Conteúdo de valor acaba sempre por rankear melhor.

A nível de pricing a solidpop tem produtos aos mais diversos preços. Qual a diferença na abordagem entre vender um air freshner de 2 euros e um fato de cosplay de mais de 1000 euros? 

Acabamos por prestar mais atenção e criar mais conteúdo à volta dos produtos caros e difíceis de vender, para que as pessoas tenham mais confiança.

Apesar de tudo a solidpop.com (o site em si) tem pouco mais de um ano, portanto a marca não está incrivelmente bem estabelecida ainda, portanto temos de arranjar formas de ganhar a confiança das pessoas para nos comprarem um artigo feito por encomenda no valor de milhares de euros.

Qual a coisa mais estranha que já vendeste/compraste online?

A coisa mais estranha que vendi foi um acessório de endireitar unhas tortas. Para além da solidpop também vendo coisas aleatórias na amazon – para mim o produto em si nesse caso é irrelevante: eu investigo para descobrir qual é o produto que maior margem tem e que ao mesmo tempo tem muita procura.

A coisa mais estranha que comprei foi um acessório de endireitar unhas tortas para vender na amazon.

Se a tua vida fosse um vídeo de Youtube, qual seria o título? 

“Um gajo com demasiada energia que gosta de fazer tudo ao mesmo tempo e fazer vídeos para o Youtube”

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