5 Coisas porque Marketing é como a Portugalidade. O 3º Vai Mudar-te as Ideias!

O Portugal Real como retrata David Bruno em canções é uma fonte de inspiração pela sua singularidade. Como o próprio observa “comer no balcão é o facebook da vida real…um comenta uma notícia da TV e depois outros vão comentando”, mas também enaltece as férias no Inatel ou idas a Benidorm nos anos 90/inicio de 2000.

Do debate da Melhor Francesinha às Excursões de Autocarro – 5 Comparações com Marketing!

As Pessos Falarem da Marca como no Debate da Melhor Francesinha

Há uma coisa típica em Portugal quando se pergunta a empresários para falar da empresa.

Dizem que “o produto é do melhor” ou que é de “alta qualidade.” Mas nem a Apple diz que é a melhor.

Quando pessoas decidem comprar (ou não), consideram entre benefícios e caractéristicas. Pensam sobre o preço, relevância, design, etc. Contudo a decisão final é sobre o benefício dos produtos. E é o primeiro aspeto a comunicar porque desperta atenção.

Em Portugal há dois campeonatos de Game of Thrones. As marcas que se autoapelidam de serem as melhores/rei. O Melhor Frango do Mundo ou o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo…mas também o Rei dos Frangos e o Eusébio dos Frangos.

E as marcas a quem o Público Atribui o Trono. A norte é comum ouvirmos o debate onde se come a melhor francesinha. São as pessoas que atribuem o título da qualidade e sugerem no boca a boca.

Aquando trabalhei no centro do Porto, os escritórios situavam-se entre duas casas de francesinhas. O Santiago e o Lado B.

O Lado B tem no nome A Melhor Francesinha do Mundo. Porém, o restaurante que enche e tem filas de espera é o Santiago. E apesar de dizerem que são A Melhor Francesinha do Mundo, nas Reviews do Facebook estão classificados com 4.1, enquanto que o Santiago tem 4.9.

No Marketing é igual. Dizer que somos os melhores não traz público ou reconhecimento da qualidade.

Segundo a Finances Online, 93% das pessoas confiam em Reviews aquando compra em marcas que não estão familiarizadas

Ser Marante ou Nel Monteiro

Os artistas populares não cantam em coliseus mas percorrem o país tocando nas mais diversas vilas, aldeias mas também em programas de TV ao fim de semana, onde mais de 1 milhão de pessoas assistem ao vivo.

Contam com um público fiel mesmo no estrangeiro onde fazem tournées para emigrantes. Adaptam-se a um contexto e vão ao encontro do público.

Há negócios que vão vender mais por mensagem privada do que no site. E outros irão vender mais à cobrança do que por cartão de crédito ou MBway.

Há uma loja Online que vende para essas pessoas numa espécie de Regresso ao Passado.

E sem dramas adaptam a estrutura para ir ao seu encontro.

Anúncios

Estilo televendas no digital? É verdade mas não há uma dobragem manhosa nem um longo anúncio

Apenas 25 segundos e o texto descreve as dores e a solução

E na descrição do anúncio focam no Pagamento na Entrega. Nada de coisas mais tecnológicas como MBway e Cartão de Crédito.

Até porque não é possível pagar dessa forma.

Landing Page

A loja cria Landing Pages dedicadas para cada produto para o target.

Onde a compra é feita por um formulário.

A adaptação ao público

A loja também tem um eCommerce com um aspeto normal. Mas para este target focam em anúncios de produto único com landing page específicas. O moderno nem sempre é o mais lucrativo.

Uma vez o Joni Oliveira (cursos de unhas online no Brasil) disse-me algo que guardo em relação à venda por mensagem e não por site.

“​(…)Mais tarde decidi humanizar o processo, dispensar os robôs e quadripliquei os resultados, mesmo esse downgrade de trocar automatismo por uma mão humana deve-se exatamente ao público.

Acredito que por trabalhar maioritariamente com pessoas de classes mais baixas e com maiores dificuldades acesso ao sistema educacional no Brasil, ter um contato mais direto em que possamos esclarecer eventuais dúvidas e quebrar barreiras sobre uma venda digital e até mesmo o ensino à distância nos levou a ter mais sucesso como empresa.”​

Obras para Reformados – Nem todos ambicionam ver o melhor Design

reformados obras

Há reformados que adoram ver obras. Não sonham ir ao Algarve ou Bahamas mas sim ver gruas a mexer terras. Se prestares atenção os memes que recebes no WhatsApp também são feios (talvez mais feios que as imagens acima).

São imagens de stock photos com qualidade reduzida e balões com texto a transbordar para fora ou desenhos animados com fraca resolução. Além de fotografias que nem em filmes de Série Z teriam o seu “frame”.

Apesar de feios são altamente partilháveis pela ideia ou contexto. A sociedade não é marketer/designer!

Um dia num grupo vi críticas ao design de um anúncio, que por força da sátira não tinha o design mais belo.

Apanhei o anúncio. A descrição e imagem fizeram sentido pelo contexto. E o público-alvo comentou o anúncio positivamente. Acredito que converteu muito, mesmo que a nível de design o texto não respeite as margens.

Isto porque o público-alvo dá mais importância à mensagem do que preciosismos de design, eles não são profissionais da área.

Mas sobretudo captou a atenção das pessoas.

Partilho contigo um dos meus piores anúncios que foi super elogiado pela equipa.

A taxa de clique foi de 0,38% e não foi o único a sofrer de tal! 

Mas um dos anúncios que mais converteu não é a coisa mais bonita…

 

Em anúncios há quem é tocado “obra” mesmo que o design não seja tecnicamente perfeito! 

Trazer Pessoas como Excursões de Autocarro

As excursões de autocarro ao fim de semana é um hábito do Portugal Real. A Feira (cidade onde vivo) é um ponto de paragem para tomarem o pequeno-almoço ou um lanche ajantarado. Os passageiros de 10 autocarros enchem padarias e cafés gerando negócio com o movimento.

No online também é preciso gerar tráfego, todavia não existem excursões ao site. 

É comum existirem empresários que gastam 15000, 30000, 50000 ou mais para criar uma loja online + stock sem validarem o produto ou o conceito. E após os gastos no site e stock…apresentam um budget minúsculo para publicidade online.

Plataformas como o Shopify permitem poupar dinheiro e tempo ao criar Lojas Online rapidamente e com as mais diversas integrações (pixel facebook, email carrinho abandonado, entre outros). 

Iniciar com baixo custo permite validar o produto/conceito no mercado. E aproveitar o dinheiro para gerar visitas à loja online. 

Idas a Benidorm

411400 Portuguesas Visitam mensalmente uma Loja Online do estrangeiro (e não é porque querem praticar o que aprenderam no Doraemon). Tugas são do mundo e entendem os “oixenxa e oixo”. O site de cosméticos Primor com lojas físicas em Portugal – não adaptou a língua!

Em vários produtos, o preço é mais barato mesmo com o valor dos portes! Tal como ir a Benidorm nos 90s e 2000s ficava mais barato de ir ao Algarve (mas havia portugueses que optavam por ir aos dois locais).  

No retalho de multimarcas há uma luta entre os maiores players Nacionais Vs players Espanhois. E há um tipo de público multiloja que sabe o que quer e compra por preço independentemente da loja.

Portugueses já não escolhem Benidorm como destino de eleição mas no online continuam a ir aos seus “Benidorms.”

Cria Conteúdos para a Marca Pessoal como o Jorge Jesus

Quando crias com a tua voz tudo fica mais “Peaners”

Criar conteúdos deve ser libertador, contudo é comum muitas pessoas sentirem pressionadas porque procuram a perfeição ou sentem-se obrigadas a criar.

A partilha é algo que vem de dentro e se tens o conhecimento, a visão, o coração, faz. O resto depois acontece quando há autenticidade.

O Jorge Jesus é autêntico e partilha a sua verdade entre calinadas e onomatopeias virais como “Glu glu glu”.

“Um treinador é como um pintor. (…) Já contei esta história da Paula Rego: estive uma vez numa exposição e ela dizia-me a mim e às outras pessoas que era uma figura que se chamava Maria e que estava a chorar; ‘ah está a chorar?’ não via nada… mas ela sabia que estava a chorar. É como o treinador. Vocês não olham muita coisa porque isto é criativo. Porque são muitas horas e horas de treino, a repetir a jogada, vai para trás, vai para a frente, passa nas costas (…)”

Transforma o que vês e ouves em conteúdo

Em várias entrevistas, Jorge Jesus mencionou como a letra da canção Melhor de Mim ajudou a passar dificuldades e que atualmente ouve a canção para sentir-se motivado.

O conteúdo anda pelo ar quando estamos num estado mental de partilhar/criar. Recentemente vi uma Playlist do Spotify que simulava o funcionamento do microondas. Pensei e se fizer com Marketing?

Há uma tendência de quem começa a criar conteúdo em fazer o básico.

E isso é um erro. Para aqueles que têm autoridade numa área, o conteúdo básico é necessário porque são vistos como especialistas. Não é uma contradição porque quem está a descobrir procura por essa informação ou clica ao ver no feed.

O artigo do Paulo Faustino “Como escrever e otimizar para SEO” foi das melhores bases que tive ao começar no Marketing Digital.

Mas para quem ainda não tem autoridade ou imensa experiência, o conteúdo mais básico não vai diferenciar e não vai funcionar. O básico vai precisar de um um ângulo, uma metáfora, só assim é possível despertar a percepção das pessoas.

O artigo do Sílvio Almeida, o que é o SEO – versão Hotel Califórnia é um exemplo de como o ângulo pode diferenciar o conteúdo. E confesso que foi este o artigo que me levou a pensar diferente!

As tuas experiências são conteúdo mas tens de tornar o conteúdo apresentável para o público

Experiências profissionais, de compra ou até mesmo algo em formação, tudo pode ser moldado para conteúdo.

Uma forma de criar ligação com as pessoas é ligar com algo popular (programa de tv, meme, música, etc,)

O processo de compra online de produtos de valor mais elevado é mais demorado. Numa loja física ninguém regressa 9x até comprar, porém no Online é normal entre remarketings e visitas diretas. O momento destas compras é como o mítico momento do Agora ou Nunca.

COMPRA COMPRA COMPRA invés do PONHA PONHA PONHA.

Ao criar conteúdo não podemos fazer algo tão conceptual que é mais difícil de dificrar que arte contemporânea. Só que podemos mudar as peças.

Na era da atenção temos que caprichar. Imagina que compras online numa marca do Hong Kong. E decides contar todo o processo de dúvida e de marketing que te levou à compra.

O título “A minha compra numa loja online do Hong Kong” não fala para o público e é um monólogo.

Mas ao mostrar um possível problema e quantificar a distância tornou o artigo mais relacional.

O artigo foi elogiado por diversas pessoas que sabem MUITO MAIS QUE EU.

Fui fazendo mais conteúdo e um ano e meio depois o Rui Cunha recomendou-me para a Primetag, empresa onde trabalho atualmente em Marketing Digital.

Torna-te um Jorge Jesus do conteúdo

  • O conteúdo não sai de forma mágica. A inspiração surge de experiências e tens de estar em alerta (viste como o Jorge Jesus ligou a sua profissão com uma conversa com uma pintora?)
  • Conta a verdade! O que fizeste, ouviste, viste, tudo é transformável em conhecimento e conteúdo para uma audiência.
  • Não cries fantasmas. Como a Sofia Sundari diz “Atira-te de cabeça e só depois as portas abrem”. É um processo de fazer e ir descobrindo.
  • Consome conteúdo das mais diversas áreas, tira notas do positivo e TESTA COM O TEU ESTILO (não copies, adapta).
  • Tens de caprichar nos títulos seja em vídeo ou textos porque é o mote para o resto.

Algumas técnicas de criar títulos chamativos

Quantifica e contradiz uma falsa verdade “Anúncios bonitos podem ter CTR de 0,38% e o “feio” vender muito”

Faz uma comparaçao com algo conhecido “Cria Conteúdos para a Marca Pessoal como o Jorge Jesus”

Criar sensação de perca se não o conteúdo não for lido “15 Coisas Alarmantes que Tens de Saber ao Contratar um Agente Imobiliário”

Partilha. Constrói uma Audiência. Não desistas pelo menor feedback inicial. Vai ganhando mais Confiança e Testa Muito Mesmo Quando já encontraste a Tua Linguagem.

P.S: O Jorge Jesus testou o Glu Glu Glu e foi viral!

Anúncios bonitos podem ter CTR de 0,38% e o “feio” vender muito

O gosto é subjetivo quando se mede por resultados!

Os memes que recebes no WhatsApp são feios.

Imagens de stock photos com qualidade reduzida e balões com texto a transbordar para fora ou desenhos animados com fraca resolução. Além de fotografias que nem em filmes de Série Z teriam o seu “frame”.

Sim, são piores a nível estético que o Ninja das Caldas.

Apesar de feios são altamente partilháveis pela ideia ou contexto. A sociedade não é marketer/designer!

Um dia num grupo vi críticas ao design de um anúncio, que por força da sátira não tinha o design mais belo.

Apanhei o anúncio. A descrição e imagem fizeram sentido pelo contexto. E o público-alvo comentou o anúncio positivamente. Acredito que converteu muito, mesmo que a nível de design o texto não respeite as margens.

Isto porque o público-alvo dá mais importância à mensagem do que preciosismos de design, eles não são profissionais da área.

Mas sobretudo captou a atenção das pessoas.

Em anúncios não é preciso existir uma “ditadura” da linha gráfica! Imagina teres SEMPRE anúncios com a mesma linha de design, cores, etc porque segue o “manual”.

Vai parecer tudo o mesmo anúncio…e não se TESTA! É importante existir uma coerência. Tipos de letra da marca, cores contudo que exista um painel de hipóteses nada limitado. Mas é cada vez mais difícil captar a atenção. Há muito a acontecer nos feeds, browsers ou alguém chamar para baixar o tampo da sanita.

Não vais testar um anúncio apenas porque “não comunicamos assim”?

E se converter mais?

No outro dia parei e cliquei num anúncio com fundo amarelo, o mesmo emoji repetido 8 vezes e texto no meio. (E sim, converti!)

Anos atrás eu não compraria um curso de Facebook Ads a alguém que tem um anúncio deitado com o cão

Levei com diversos anúncios informativos do Rudy Mawer (incluído o do emoji).

Mas depois volta e meia recebia coisas assim…

O tempo levou-me a ser mais aberto, a entender que os resultados são imprevísiveis e é preciso testar o que chama mais atenção. Porque o público pode ter uma reação completamente diferente de quem está ao nosso redor ou gosto pessoal.

Partilho contigo um dos meus piores anúncios. A taxa de clique foi de 0,38% e não foi o único a sofrer de tal! Tive mais ao longo do tempo que em teoria iriam bombar.

Mas dois dos anúncios que mais convertaram são feios ou muito simples

E este abaixo o cliente não gostou…mas vendeu muito! (“Não segue as cores da marca, etc, etc, etc”)

Foram criadas duas versões uma para o Black Week e para o último de descontos.

Em anúncios é preciso libertar a mente e testar. O público é quem dita se é bom ou mau. Quem mais testa é quem está mais perto de encontrar o que converte mais!

“As palavras têm um poder imenso, e maior parte das pessoas não tem essa noção”​

Há um poema de Almada Negreiros que diz “Cada combinação de letras uma palavra. Todos dias faz anos que foram inventadas as palavras. É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras.”​

A Luísa “festeja”​ imenso. As suas palavras viajam por todo o mundo e já colaborou com a Adidas, Pestana, Trivago e Reebok.

E se quiseres festejar juntamente com a Luísa, junta-te aos seus workshops de Copy e Content Writing: https://www.luisawrites.com/

Desconstruindo #16 Luísa Santos Amorim, UX, Content e Copywriting

As palavras criam perceções. Há um exemplo clássico nas relações humanas de que um convite para um “date” não deve ser um – “eu quero sair contigo (…)”. Qual é o verdadeiro poder da escolha das palavras?

Dás cabo de mim logo na primeira pergunta (ahah). Por acaso até sou muito adepta dessa sinceridade. Dessa simplicidade crua, de dizer as coisas tal e qual como elas são. Se calhar corria melhor um “eu quero sair contigo” do que passar a vida a ganhar coragem — mas isso sou eu, que falo antes de pensar.

(Nota do Entrevistador: A minha sugestão é que tenham coragem mas “fabriquem”​ palavras para um “Nós”​ invés do “Eu”​ 😁)

Mas, voltando à tua questão… As palavras têm um poder imenso, e eu arrisco dizer que a maior parte das pessoas não tem, de todo, essa noção. E porquê? Porque estão mal ensinadas. Aliás, estamos todos. Desde cedo que estamos formatados para escrever (sobretudo) e falar de forma complexa. Com palavras caras, que, dizem-nos, nos faz soar mais inteligentes.

Mas a verdade é que, quando falamos de comunicação (seja ela qual for), temos de ser claros como a água. O exercício é, por isso, exatamente o oposto. E é muito difícil desconstruir aquilo que durante anos nos ensinaram. É difícil fazer o contrário e tentar escrever de forma simples, que chegue rapidamente ao outro lado. Ainda há pouco cruzei-me com um post no LinkedIn que dizia mais ou menos isto: “se a tua audiência tiver de pegar num dicionário para perceber o que escreves, o teu copy é uma desgraça” — por “copy” entenda-se “texto”.

A partir daí, parece-me óbvio o poder das palavras. Elas conseguem, até, iludir-nos. Dizer-nos para usarmos as mais difíceis, para escrevermos as ideias encadeadas em parágrafos que nunca mais acabam… para quê? Só mesmo para nos enganarmos a nós próprios.

As palavras têm tanto poder que assustam. Se falarmos de bancos, por exemplo, e da sua comunicação. Só aquelas palavras complexas e notas legais sem fim assustam o comum dos mortais. Na grande parte das vezes, nem temos coragem de ler duas linhas, quanto mais o texto inteiro. É, por isso, preciso muito cuidado com as palavras que escolhemos — sob o risco de não nos fazermos perceber.

A escrita para UX é nesse sentido de ser uma arquitecta que coloca a palavra certa no momento certo? 

Sim, de certa forma. Mas acho que tem de haver um casamento entre a precisão da arquitetura e a paixão de um contador de histórias. É muito fácil focares-te, apenas e só, na precisão. Nas poucas e certeiras palavras, para que a conversão aconteça.

Mas, e o que é feito da história? Não estás a contar algo à tua audiência? Como é que ela se vai apaixonar por aquele produto ou serviço? Vais vender só com a precisão? Não, nunca. Para nem falar do difícil que é andares de mãos dadas com a equipa de design. Não podes, em momento algum, remar para um lado enquanto outros remam na direção oposta. O casamento tem, por isso, de ser perfeito (ou perto disso).

Dor –  espremer mais a dor – apresentar a solução. A escrita para conversão pode ser uma relação sadomasoquista?  

Completamente. Sinto-me a pior das interesseiras quando escrevo copy. Uma comercial, que vende de porta em porta ou deixa o folheto na caixa de correio. Para mim, pelo menos, foi muito difícil perceber isso: que precisava de vender.

O Bob Bly abre um dos seus livros, o The Copywriter’s Handbook, com uma frase de Judith Charles, que diz: “A Copywriter is a sales person behind the typewriter”​.

Não há maior verdade que essa. Essa frase marcou-me e tenho-a sempre presente nos meus workshops. Porque, para quem sempre (só) olhou para as palavras com amor, perceber isso foi um murro no estômago. Eu estava habituada a escrever para mim, ou a escrever para informar. Nunca com o foco em persuadir ou converter. Por isso, quando percebes que isso existe — que é, até, uma área da escrita (o Copywriting) — tudo muda. E percebes que, as palavras, vendem.

Sair do nosso corpo para escrever no tom e “guidelines” da marca é um exercício mais complicado, mas necessário para as marcas não serem esquizofrénicas?

Sim e não. Não iria até à esquizofrenia. Vestires a pele do cliente que te pede trabalho é um desafio do caraças, literalmente. E é necessário para que a linguagem (que ele usa nos seus canais) não saia descomprometida.

Para o produtor de conteúdos, é um ato de amor. É mesmo. É um dar sem receber. É dizer “ok, eu escrevo-te isso sem que pareça que sou eu que estou a escrever”. Bolas, como é que faz isto? É mesmo muito difícil. Acho que, quem produz conteúdos, mais rapidamente alcança um estado esquizofrénico do que o próprio cliente.

Escrever artigos envolve ter método. Pelas suas especificidades, a escrita de artigos seria um bom teste de recrutamento para as mais diversas áreas? 

Acho que não. Depende muito da área que está a recrutar. O que seria um bom teste? Testar a capacidade de comunicação e sintetização dos candidatos — dando-lhes a liberdade de escolherem o formato/plataforma para o efeito.

Há pessoas que escrevem maravilhosamente. Que seguem uma estrutura própria, que têm uma linguagem e personalidade únicas. Mas há outras que são fenomenais a comunicar através de vídeo, por exemplo. Nesse caso, só precisariam de perceber, previamente, o que queriam transmitir. E escrever, até, uma espécie de guião/bullets para saberem o que iriam querer abordar no vídeo.

Concordo em absoluto que, a escrita de artigos, exige algum método. Mas acho que poderia ser um obstáculo para um candidato que, apesar de não o dominar, seria ótimo para a vaga a que se candidata.

Porque os artigos de Tops (listas) funcionam tão bem? 

Porque simplificam e antecipam, aos leitores, aquilo que eles podem esperar do artigo — mesmo sem o abrirem. Por isso é que os títulos são tão importantes na escrita de artigos. 

Um artigo que tenha como título “Receitas Vegan para fazer na Bimby” não vai resultar tão bem como aquele que diz “5 Receitas Vegan para fazer na Bimby”. Há uma especificação. Assim, os leitores sabem para o que vão e é por isso que os números são, também, grandes aliados das palavras.

Sim, porque é muito diferente escrever “Cinco Receitas Vegan para fazer na Bimby”. Este artigo, com este título, não vai resultar tão bem. À partida, terá menor taxa de abertura do que o anterior. Visualmente, não é tão atrativo.

Por isso é que os artigos de listas resultam tão bem. Para nem falar da ajuda que dão a escrever o artigo em si. O esquema fica muito mais facilitado. Além de um subtítulo principal, podemos usar outros que falem de cada uma das receitas. Estrutura a linha de pensamento do autor, cria espaço em branco para os leitores (extremamente importante), garantindo-lhes que não vão “perder” muito tempo ali — sim, porque isso também conta, e muito.

Adepta de sapatilhas, óculos de sol e restaurantes. A gastronomia é uma espécie de copywriting para a alma?

Totalmente. Adoro comer. Nem sei como explicar o quão gosto de comer, por mais estúpido que isto soe (e a vontade louca que eu tenho de enfiar emojis nesta frase? — bom exercício, este). Somos moldados por aquilo que gostamos, vivemos, pelas nossas experiências. Eu adoro viajar e experimentar novos restaurantes. Adoro mesmo — e nem sequer como carne ou peixe, por isso pensa na quantidade de doces que eu ataco (ahah).

Num Top de restaurantes, quais seriam as tuas escolhas? 

Ai. Isto sim, é uma pergunta difícil. Bem, deixa-me ver se arranjo aqui uma lista (fast-food incluída, obviamente):

  1. Terminal (no Porto de Leixões. É crime sair daqui sem provar a Bola de Berlim);
  2. Enoteca 17.56 (nem que seja pela decoração, já vale a pena);
  3. Taberna Londrina (melhor francesinha veggie que existe);
  4. Mi Sombrero (este restaurante mexicano, em Albufeira, é o melhor onde já fui);
  5. Shake Shack (nunca comi um hambúrguer vegetariano tão bom);
  6. Taco Bell (melhor invenção de sempre).

Se a tua vida fosse um filme, como seria a sinopse? 

Por mais estranho que pareça, muito curta. Sempre que tenho de me descrever, ou a algo relacionado comigo, escrevo pouco. Escrevo com (muitos) pontos finais. Porque, tudo o que sou, é simples e direto. É como sempre digo: uma sagitariana que adora viajar, escrever, cantar e comer (muito).

A Estratégia da Loja que Vende Online para Pessoas de 1955

Certamente já viste Facebooks com fotos de perfis com flores, um gato, uma foto de 1980 ou uma selfie com a frase “Deus no Comando”​.

Há uma loja Online que vende para essas pessoas numa espécie de Regresso ao Passado.

E sem dramas adaptam a estrutura para ir ao seu encontro.

Anúncios

Estilo televendas no digital? É verdade mas não há uma dobragem manhosa nem um longo anúncio

Apenas 25 segundos e o texto descreve as dores e a solução

E na descrição do anúncio focam no Pagamento na Entrega. Nada de coisas mais tecnológicas como MBway e Cartão de Crédito.

Até porque não é possível pagar dessa forma.

Landing Page

A loja cria Landing Pages dedicadas para cada produto para o target.

Onde a compra é feita por um formulário.

Prova Social

Os anúncios estão repletos de comentários de quem comprou e perguntas a pedir mais informação. E muitas das vezes, as clientes respondem às duvidas do preço, etc.

A adaptação ao público

A loja também tem um eCommerce com um aspeto normal. Mas para este target focam em anúncios de produto único com landing page específicas.

O moderno nem sempre é o mais lucrativo.

Uma vez o Joni Oliveira (cursos de unhas online no Brasil) disse-me algo que guardo em relação à venda por mensagem e não por site.

“​(…)Mais tarde decidi humanizar o processo, dispensar os robôs e quadripliquei os resultados, mesmo esse downgrade de trocar automatismo por uma mão humana deve-se exatamente ao público.

Acredito que por trabalhar maioritariamente com pessoas de classes mais baixas e com maiores dificuldades acesso ao sistema educacional no Brasil, ter um contato mais direto em que possamos esclarecer eventuais dúvidas e quebrar barreiras sobre uma venda digital e até mesmo o ensino à distância nos levou a ter mais sucesso como empresa.”​

iOS14? Reduz o Stress com: Facebook Conversions API

O que é o Facebook Conversions API e Como usar

Antes do guia | O Estado de Sítio

A Apple após a trinca da maçã começou a comer Cookies de terceiros. Em 2017, o Safari reduziu o “tracking” até 24h após a visita. E com o iOS14, por default ou por opção, a maioria das pessoas terá informações limitadas nas aplicações.

Não há razão de alarme porque iremos encontrar soluções e adaptar.

Além do RGPD, as pessoas pretendem mais privacidade dos seus dados e as grandes tecnológicas trabalham nesse sentido. Da Apple à Google, os browsers não terão third-party cookies.

Um third-party cookie entre muitas coisas, cria um perfil de consumidor. Se clicas e compras após um anúncio de uma marca com casacos hipsters, entras na categoria de pessoa que compra casacos hipsters (mas também de casacos).

E por isso levas com anúncios de outras marcas de casacos hipsters, mas também de moda (com casacos).

Algumas coisas vão mudar e há informações contraditórias, portanto não tenho respostas (li muito e concluí que ainda é cedo). E ao contrário dos EUA, em Portugal o Android domina em larga escala o mercado. (6 milhões de dispositivos Android com FB vs 2 milhões de utilizadores de iOS).

Algo comum são os que dizem que algoritmo poderá de deixar de trabalhar por nós. Mas isso implica melhor targeting e melhores criativos nos anúncios e outras estratégias (nada impede remarketing para quem visualizou x% do vídeo).

Outras informações que parecem válidas:

  • A medição de agregação de eventos deve ser por ordem de prioridade (podem ser feitos 8), porque a ultima ação realizada é a reportada para a plataforma.
  • Pode demorar 72 horas para informações mais válidas dos novos anúncios
  • O modelo de atribuição de 1 dia dará melhores dados dos utilizadores sem tracking no iOS. Mas em traços gerais, será necessário usar Analytics e CRM para comportamentos de compra mais exactos.

Facebook Conversions API – O que é

Se estás a ler isto é porque tens o pixel do Facebook instalado no site. O pixel dispara no “browser” e acompanha as ações realizadas no site para comunicar ao gestor de anúncios.

Mas com o Facebook Conversions API, cada visitante do site terá um ID enviado para o servidor. Invés do “browser” através do cookie fazer o “tracking”, o servidor acompanha cada movimento, seja uma visita noutra página, uma compra ou outras ações. O servidor comunica com o Facebook e passa os dados.

Ao teres o pixel instalado da maneira tradicional e com a API conjugas mais informação.

E a conversão por API apenas dispara se o utilizador de iOS não quer ser “trackeado.”

Como Instalar a API de Conversão

  1. Em https://www.facebook.com/events_manager2/ escolhe uma conta e deixo em aberto para o passo 3.

2. Verifica o Domínio (se ainda não estiver mas em princípio sim se fizeste os eventos de Medição Agregada) https://business.facebook.com/settings/. Para verificares vai a “Segurança de Marca”. Insere o Domínio e dá o código no campo DNS TEXT RECORD ao programador.

2.1. Se leste isto e ainda não tinhas o domínio configurado. Configura após instalar a API, a Medição de Eventos Agregada. Lê aqui como.

3. No link do passo 1, vai a definições e faz scroll até encontrares os campos da imagem.

Configurar Através de Parceiro

É a maneira mais rápida mas não está disponível para todas as plataformas nem para integradores gratuitos.

De seguida é seguir os passos.

Configuração Manual

Caso não tenhas uma das opções acima ou pretendes fazer num plug-in (Gerar um token de acesso para colocar no plug-in) que utilizes, podes fazer de forma manual mas irás necessitar de um programador (não me mates, ouvi num podcast para neste caso não usar Google Tag Manager).

Ao fazer Manual podes optar pela tua área de negócio e escolher as conversões apropriadas.

Dá um check nos campos para medição.

Após este passo envia as instruções ao programador como solicitado pelo Facebook.

Dica caso queiras Testar no meio da Incerteza

É possível testar campanhas entre Pc + Android e PC + iOS.

Ao escolheres “Locais de Publicação Manual” e clicares em “Mais Opções”.

Tenho Interesse por Fraldas? Como Facebook Ads ficam a Cheirar Mal com a Overdose de Dados

O Facebook apesar de ser um vampiro dos dados permite vermos os seus dentes.

Clica aqui para veres os supostos interesses relevantes para apanhares “anúncios relevantes”.

Quanto mais fazes scroll mais estranho fica, certo? Tu tens mesmo interesse em pelo menos 65% da coisas?

A mim o Facebook diz que gosto de Basebol.

Mas apenas cliquei numa notícia dos jogos do mês da PS Plus (serviço de subscrição da Playstation que oferece dois jogos mensais) que tinha um jogo de basebol e outro jogo, o jogo que eu estava interessado.

O Facebook bate bolas sem contexto na caça de interesses.

Não tenho jeito para artes manuais. Em EVT tirava 3- (e davam-me por pena para não estragar as outras notas).

Mas o Facebook diz que gosto de Aguarela porque visitei a página de um RESTAURANTE local chamado AQUARELA.

O Facebook diz que gosto do Fiat 500 de 2007 mas também de Carros de Luxo e eu não ligo a carros.

O Facebook diz que gosto do Jenson Button mas tive de googlar para saber quem é ao escrever isto (é um piloto de F1).

O Facebook diz que gosto de Fraldas mas eu não sou Pai.

O Facebook diz que gosto da banda Simple Plan porque 10 anos atrás mandei uma piada num post de um colega da universidade (Ele era fã).

O Facebook diz que sou fã Will Smith porque cliquei numa partilha de story e visitei o perfil dele (é a internet clicamos em diversas coisas mesmo sem sermos fãs).

O Facebook engorda (pun intended) os dados de diversas formas.

  • Visita ou Interações com páginas Facebook ou perfis Instagram.
  • Palavras escritas na plataforma (Até no Messenger)
  • Por associação (Se assume que gostas de X também gostas de Y)
  • Dados de outros sites

E neste último aconteceu-me um caso surreal.

Ouvi no Canal 11 umas recomendações de jovens talentos da Liga de Futebol da Dinamarca.

Como Online pesquiso de tudo e mais alguma coisa. Pesquisei e entrei num site.

Resultado…

Como anunciar num ecossistema com falhas – os Desafios para anunciantes

O pixel é inteligente sobretudo quando a audiência é construída com vendas pelo Google.

Quando anunciei para uma loja de revenda de cosmética, fazer Sem Interesses era mais rentável do que segmentar pelas marcas vendidas (mas ambas eram necessárias e davam ROAS).

Apesar de ser Sem Interesses havia uma segmentação por género e por faixa etária com base no intervalo de idades que mais compravam no site.

Mas cosméticos é um produto de necessidade e por isso é vendável para as massas.

Vamos imaginar uma empresa de Servidores e Domínios.

Se colocarmos os interesses ligados à área apanhamos também pessoas nada a ver.

E apercebemos disso ao interagirem sem querer ou forçados pelo Facebook (Sim, o Facebook mete uns gostos ou comentários se um anúncio tiver pouca interação).

Está aqui a chave da resolução.

Os criativos dos anúncios devem chamar a atenção do público-alvo.

Fazer anúncios hoje requerem mais trabalho criativo e mão de obra para após diversos testes encontrar o que funciona.

Mas o vídeo tem também aqui um papel importante.

É possível segmentar para quem viu X % do vídeo.

Uma imagem pode ser vista sem querer. O Facebook assume como interesse termos parados num anúncio estático. Mas talvez apenas paramos porque o anúncio tinha uma gralha ou porque recebemos uma chamada (há casos que as pessoas são mais lentas no scroll).

Mas para ver um vídeo com uma duração superior a 1 minutos já tem de haver um compromisso.

O covid trouxe cortes em imensas empresas numa altura que o Marketing precisa de mais investimento para captar a atenção.

Nos EUA testam vários criativos.

Em Portugal, puros players Online como a Loja do Shampoo e Skin fizeram anúncios televisivos.

A Delta Q está em força no Online com parcerias com o Maluco Beleza, podcast Reset da Bumba da Fofinha, etc.

Branding + Performance + Customer Care é o caminho para os desafios de um digital cada vez mais automatizado mas sem third-party cookies.

Além de uma personalização com dados de first-party.

Exemplo: Envio de Sms Marketing com os descontos da marca Y para os compradores da mesma há mais de Z dias.

Contudo, o Covid trouxe contenção e onde não haverá investimento, McGayvers tenterão ter resultados com pouco.

Mas é importante que exista pelo menos a perceção que está a haver uma mudança e as coisas não são tão fáceis como antes.

Hoje, o Digital envolve mais Meios!

“Prefiro falhar a fazer o que gosto que ter sucesso a fazer o que não gosto”

O Miguel Pinto Ferreira apareceu um dia num anúncio do Facebook. Cliquei e a partir daí acompanho o seu canal de Youtube quase religiosamente (até oiço em temas que nem domino).

Ele fala da teoria do diagrama em árvore e na verdade mostrei o canal a um amigo meu. Em 6 meses, o canal cresceu rapidamente e atingiu recentemente os 10 000 subscritores.

Além do Youtube, tem a loja online solidpop e é gestor de marketing freelancer.

Desconstruindo #15 Miguel Pinto Ferreira, o Youtube e as Vendas Online

Começaste no Youtube, paraste, voltaste em força e em poucos meses chegaste aos 10 000 subscritores. Como as bases de Marketing ajudaram e os feats com outros canais (Miguel Raposo, Luís Pinto, etc)?

Isto do youtube foi toda uma aventura. Sempre quis fazer youtube, aliás, eu já queria fazer youtube antes de saber o que era youtube: pegava em câmaras e fazia skits parvos com amigos e era super divertido, mas depois não tinha onde os publicar.

Desde que o youtube começou a ser uma “cena” eu seguia youtubers e queria fazer o que eles fazem, mas nunca juntei a coragem e motivação para o fazer. Foram precisos vários anos, criar independência própria , financeira e estar confortável nesse sentido para finalmente ganhar coragem para seguir o meu “sonho” de criar conteúdo e entreter outras pessoas.

Essa primeira experiência no youtube que depois “parei” foi na realidade o arranque para perder a vergonha, filmei meia dúzia de vídeos todos seguidos no mesmo fim de semana, sem pensar, sem nenhum planeamento e publiquei para tirar essas dúvidas parvas da minha cabeça.

Parei porque aconteceu algo que me obrigou a parar, mas mal a vida voltou a orientar-se resumi em força com um plano bem definido.

O plano era: vou criar conteúdo que acho “fixe”, vou experimentar várias coisas diferentes e ver o que acontece.

Já sabia o tipo de conteúdos que queria criar, só não sabia se os poderia conciliar principalmente num canal português, então primeiro tive de testar para ver o que acontecia.

As bases de marketing ajudaram, claro, mas de uma forma mais subtil – com o tempo e experiência vou ganhando várias skills de marketing que aplico em muitas situações mas já por instinto, nem dou por ela que as tenho.

Sinto-me sempre “burro” e até estranho quando pessoas me querem pagar pelo conhecimento que tenho. A questão de testar coisas, ler as métricas e interpretar os resultados, é onde entram as skills de marketing que já as executo sem pensar.

A entrada de pessoas como o Miguel Raposo, Luís Pinto e muitos outros vem da necessidade inerente a ser criador de conteúdo de constantemente fazer networking. A diferença entre um “influencer” que trabalha com marcas e um que não trabalha com marcas, às vezes passa mais pela sua capacidade de networking do que na qualidade do seu conteúdo ou tamanho da sua audiência. Não faltam por aí youtubers pequenos com parcerias e youtubers grandes sem parcerias.

Em 6 meses de trabalho “real” no youtube (não conto aquele fim de semana de fazer vídeos à sorte para perder a vergonha) não só consegui atingir o incrível número de 10,000 subscritos, mas também consegui a minha primeira parceria paga. Estou bastante contente com os resultados que consegui, principalmente porque me diverti bastante pelo caminho.

Tens vídeos em que pegas em temas do momento (num nicho ou mais abrangente), como por exemplo, o vídeo onde acabas com o mito que o ecrã do iPhone 12 risca facilmente. Os temas do momento são “singles” que levam algumas pessoas às outras “faixas”? 

Sem dúvida, é uma óptima forma de descrever: ao criar conteúdos “do momento” traz pessoas para o canal e a minha esperança (que acredito que tem resultado) é que as pessoas entrem pelo tema, fiquem pela minha personalidade e forma de o abordar.

Se conseguir com que as pessoas fiquem pela minha personalidade, no fundo já venci, porque a partir daí posso criar o conteúdo que quiser. Isto faz sentido porque quando faço o conteúdo que quero, faço-o com um enorme gosto e entusiasmo, depois isso nota-se na qualidade dos vídeos.

Prefiro falhar a fazer o que gosto que ter sucesso a fazer o que não gosto. Mas já agora, eu só pego em conteúdos “trendy” que gosto – às vezes passam muitas oportunidades mas que não me apetece fazer, então não faço.

Os thumbnails com boca aberta, apontar o dedo e os títulos com caps lock é como um grito de uma peixeira num mercado a chamar para a sua banca ou existe uma ciência por detrás? 

Infelizmente existe uma ciência por detrás. Está mais que provado que esse tipo de thumbnails é o que as pessoas mais clicam. Existe um histórico gigantesco e estudos sociológicos que o comprovam.

Não me esqueço das palavras de um dos maiores youtubers de tecnologia do mundo, o “Linus Tech Tips”, em que ele diz que adoraria fazer thumbnails diferentes sem essas caras parvas, mas infelizmente tem um negócio para gerir e já reuniu vários experts para estudar o assunto e sabe que aquelas thumbnails são as únicas que resultam.

Existem SEMPRE excepções como é óbvio, nada é 100% garantido no YouTube.

Além do Youtube, tens já tens uns anos de vendas no online. Desde impressão 3D, modelos 3D no Cgtrader a vender no Etsy, onde as pessoas até vendem pedras. Como foi a jornada da Pistola do Han Solo aos Cosplayers? 

O negócio principal de ecommerce que tenho de momento é a solidpop.com, um negócio do nicho da cultura pop. Isto evoluiu de um mini negócio de impressão 3D que começou na Etsy, a vender “props” para coleção , acessórios para Cosplay, acessórios para gadgets e bugigangas.

Há coisa de 3-4 anos atrás Cosplay estava trending, havia um grande boom ao nível de número de convenções estilo “Comic Con” pelo mundo fora, então havia uma procura gigante por adereços e fatos completos alusivos filmes, TV, videojogos.

À medida que esse trend foi caindo e honestamente me fui fartando (não vamos esquecer que é um trabalho maioritariamente artesanal) fui evoluindo o negócio para muito mais do que “uma lojinha na Etsy”, sendo agora uma marca definida que vende uma grande variedade de produtos para o mundo todo.

Entre o mistério e a novidade pop há uma ligação estratégica entre a procura e a oferta. Qual a estratégia para de Braga alcançar o mundo? Por exemplo, no Youtube um senhor do Reino Unido fez um Unboxing do “Studio Ghibli Mystery Box”…

No fundo um negócio online como este, onde está situado não tem grande relevância.

Neste caso estar em Portugal ajuda em algumas coisas e prejudica em outras. As que ajuda é o facto de termos um serviço de CTT relativamente eficiente mas extremamente barato comparativamente com outros países.

A partir do momento que se cria um site em inglês com uma boa estratégia de marketing, chega-se ao mundo todo como se fossemos vizinhos. Esse senhor britânico é um de muitos que compram os nossos produtos para depois fazer review no youtube, blogs etc.

É incrível poder ver pessoas de lugares e culturas completamente diferentes a reagir aos nossos produtos.

Num podcast referiste a venda do “Doce favorito do Howard Big Bang Theory”. Há anúncios específicos para fãs de algo ou é um trabalho de SEO e construir uma comunidade? 

Penso que falei nisso no podcast “Eu é mais jogos” no futurebehind.

É um bocadinho de ambos, se fizer “targeted ads” para fãs de uma série e fizer uma referência que tem um bom lugar no coração deles, rapidamente vão perceber que a solidpop é também fã da série, sentir empatia não só com o produto mas também com a marca.

Ao mesmo tempo ajuda a rankear no google de forma diferente, a juntar as keywords populares da série com o produto em si ajuda a rankear o produto de outra forma. Conteúdo de valor acaba sempre por rankear melhor.

A nível de pricing a solidpop tem produtos aos mais diversos preços. Qual a diferença na abordagem entre vender um air freshner de 2 euros e um fato de cosplay de mais de 1000 euros? 

Acabamos por prestar mais atenção e criar mais conteúdo à volta dos produtos caros e difíceis de vender, para que as pessoas tenham mais confiança.

Apesar de tudo a solidpop.com (o site em si) tem pouco mais de um ano, portanto a marca não está incrivelmente bem estabelecida ainda, portanto temos de arranjar formas de ganhar a confiança das pessoas para nos comprarem um artigo feito por encomenda no valor de milhares de euros.

Qual a coisa mais estranha que já vendeste/compraste online?

A coisa mais estranha que vendi foi um acessório de endireitar unhas tortas. Para além da solidpop também vendo coisas aleatórias na amazon – para mim o produto em si nesse caso é irrelevante: eu investigo para descobrir qual é o produto que maior margem tem e que ao mesmo tempo tem muita procura.

A coisa mais estranha que comprei foi um acessório de endireitar unhas tortas para vender na amazon.

Se a tua vida fosse um vídeo de Youtube, qual seria o título? 

“Um gajo com demasiada energia que gosta de fazer tudo ao mesmo tempo e fazer vídeos para o Youtube”

Marketing Digital em 6 GIFS do Sozinho em Casa

O Marketing no Online é como as aventuras do Kevin! 6 GIFS sobre as peripécias de trabalhar no digital.

Quando assumem que sabes fazer tudo do Marketing Digital (e outras coisas…como vídeos apenas porque trabalhas no Online)

O Marketing Digital é como a Medicina. Existe a Medicina Geral onde é feito o acompanhamento regular do estado de saúde, onde se recorre nas situações de doença comuns e se aconselha para ir a médicos de outras especialidades.

Cada especialidade leva tempo de aprendizagem e anos de trabalho/testes para ir aperfeiçoando e entender como tirar o maior partido.

As nuances e lógicas de Facebook Ads são diferentes de trabalhar em Google Ads. E E-Mail Marketing tem outra ciência muito própria. É como comparar Oftalmologia e Otorrinolaringologia.

Nada impede um médico de executar duas. Mas isso leva muito TEMPO para aperfeiçoar e executar com qualidade!

O mais natural é irmos a médicos especialistas de cada área, dado que é raro encontrar alguém especialista e dentro do budget e que domine com confiança as várias especialidades.

Tal como na Medicina, no Marketing existem pessoas mais especializadas numa vertente. Isso não impede de terem conhecimentos de outras áreas e essa visão geral traz mais valor, mas a “prática é o critério da verdade” e na prática descobrimos truques.

Não podemos ter preconceitos (o que funciona hoje….pode não funcionar amanhã)

Os “gurus” dizem a melhor hora para publicar nas redes ou enviar e-mails, etc. São “gurus” e precisam de conteúdo para alimentar leigos.

Mas por vezes também acontece criarmos os nossos próprios preconceitos (são os piores para desapagar).

Não há respostas certas e cada caso é um caso.

Temos de testar sempre! A hora, segmentações, objetivos, funcionalidade, etc, etc.

E se algo funciona bem, se não testarmos mais não saberemos se há coisas que podem funcionar ainda melhor.

Os testes podem não correr bem. Após análise temos de levantar rapidamente e continuar!
Temos de buscar soluções e ter uma grande capacidade de adaptação
Quando em um clique sabemos coisas da concorrência…

O AdLibrary mostra todos os anúncios de uma marca no Facebook e Instagram.

No SimilarTech podemos encontrar as ferramentas de marketing que utilizam.

E quando levamos com um anúncio…clicamos para saber a segmentação (Facebook) ou mais info do mesmo (Rede Display).

No digital somos super curiosos!

Nem sempre a coisa mais criativa é o que tem melhor resultado (tal como esta frase que se imortalizou)

“Quando conheces o teu cliente e trabalhas a audiência de acordo com o seu comportamento, as campanhas são mais rentáveis”​

Márcio Miranda é dos primeiros nomes que recomendo quando perguntam-me – “Quem devo seguir de Marketing Digital”.

Com um percurso de mais de 10 anos no Marketing Digital, passou pelo mundo das agências, implementou a estratégia digital para os 7 centros comerciais da Mundicenter e atualmente trabalha o E-Commerce da Delta Cafés – Grupo Nabeiro.

Paralelamente, desenvolve projetos enquanto freelancer para PME. E dá formação em centros de formação, além de ser professor convidado na Cadeira de Publicidade Online no ISVOUGA e E-Commerce no ISEG.

Desconstruindo #14 Márcio Miranda e o Marketing de Performance

Ao longo da tua carreira qual foi o erro que te fez mais aprender e repensar a abordagem?

Uma das minhas primeiras experiências profissionais foi como gestor de contas numa editora que tinha três títulos ligados à área da tecnologia.

A minha função focava-se essencialmente em vender espaço publicitário nas revistas de acordo com os objetivos comerciais definidos.

Numa das edições, fechei o espaço mais premium da revista: A capa.

Em termos práticos, um anunciante ia-me permitir realizar 85% do meu objetivo comercial. No entanto o formato tinha uma particularidade: ocupava toda a capa e obrigava a mexer na estrutura da mesma, inclusivamente na localização do logo da revista e toda a linha gráfica que caracterizava a nossa revista. Em banca estes pontos eram um fator de destaque para captar a atenção do leitor.

E o resultado não podia ter sido pior. Nesse mês, as vendas da revista em banca caíram mais de 55% face ao mês anterior. Nunca me vou esquecer quando o editor da revista me chama e pergunta: “Já viste os dados da APCT – Associação Portuguesa Para o Controlo de Tiragem e Circulação?”  

Basicamente, a minha “mega venda”, prejudicou a exposição da revista em banca e isso teve impacto junto do leitor que não percebeu que se tratava da nossa revista de tecnologia. Resultado, a revista não teve “saída” e a faturação ao nível da publicidade não compensou as perdas das vendas em banca.

Pela primeira vez senti que “Ok, isto não é um erro de simpatia que cometi sem grande importância. Isto foi grave, teve impacto na receita e neste mês eu prejudiquei o negócio.”

No entanto, também me deu duas lições muito interessantes:

Lição 1: Focar no resultado sim, mas sempre com uma análise estruturada sobre as várias variáveis de forma a perceber se de facto estamos a falar de uma boa solução.

Lição 2: Saber utilizar a palavra NÃO, de forma assertiva e com um contexto explicativo claro, pode ser determinante no sucesso de um projeto. Dizer sim a todos os pedidos do anunciante com “medo” de perder a venda, claramente revelou-se um erro que talvez um NÃO podia ter solucionado. Certamente a venda teria acontecido na mesma e os resultados teriam sido bem diferentes. Foi um dos learnings mais valiosos que tive.

Há uma certa ilusão que vender online não é complicado e isso cria a ideia que com uns euros em anúncios fica tudo resolvido. A Estratégia de Negócio aliada ao Marketing Digital é a base para uma maior Performance?

Cá entre nós, todos conseguimos vender online e quando chegas ao processo de criação de uma campanha de publicidade, o mesmo é considerado “fácil”. 

O que até é verdade. Repara, criar um catálogo de produtos no Facebook, montar uma loja em Shopify ou criar uma campanha Display no Google é minimamente intuitivo, porque as plataformas estão desenhadas para tal e a informação abunda na web.

No entanto, defendo que é fundamental um planeamento e uma estratégia clara e integrada com o teu plano de marketing, que por sua vez deve estar em concordância com os objetivos de negócio da empresa. 

Para o bem e para o mal, é “fácil colocar uns trocos” e pensarmos que tudo se resume a plataformas. Contudo, a publicidade online exige uma boa dose de conhecimento técnico e pensamento estratégico de forma a retirar o máximo partido das campanhas em termos de resultados. 

Não existe uma fórmula mágica para a criação e gestão de campanhas. A única certeza é que o digital muda constantemente e essas mudanças levam-nos a ter que estar sempre atentos e testar, testar bastante, olhando sempre aos resultados, que são altamente mensuráveis e nos ajudam a perceber se estamos no caminho certo desta otimização quase constante. 

E nesse processo, nada é mais fiável que os teus resultados e os dados que obténs das tuas fontes de análise. Os indicadores externos, são isso mesmo, indicadores. Claro que são importantes, mas vejo-os mais como dados que nos ajudam a ter uma melhor perceção em termos de benchmark estatístico do que se passa no mercado e que assim, nos dão linhas orientadoras. 

Outro aspeto muito importante numa estratégia de performance a meu ver é testar novos canais. O consumo de meios digitais pelo consumidor é cada vez mais fragmentado e muda constantemente e por outro lado nem só de Google e Facebook vive o “homem”.

É certo que representam acima dos 70% de investimento em digital, é certo que são cruciais numa estratégia de media, todavia tens outros canais que te podem ajudar nas várias etapas de interação com o teu cliente e aqui refiro-me a Branded Content, Programática, Native Advertising e Online Advertising.

A meu ver, deves ter o teu meio de maior resultado sempre presente e otimizado e se o teu orçamento permitir e se fizer sentido para o teu negócio, deves estar atento a outras fontes de tráfego para compreenderes o que te gera mais conversões, te reduz o custo de aquisição e principalmente se dá mais receitas.

E é neste sentido que sim, os teus objetivos de marketing devem estar perfeitamente alinhados com o que tu queres alcançar no teu negócio para que assim um dos canais de marketing, o digital te ajude no alcançar destes resultados.

Na campanha 10 Cafés 10 Dias da Delta melhoraram 9% de taxa de abertura dos E-Mails ao utilizar if_name e uso de emojis mas também otimizaram as campanhas de Facebook 100% para Desktop, ao ser o canal com mais conversões.
Trabalhar performance é como ser um Ronaldo ou Usain Bolt que procuram melhorar detalhes que fazem a diferença? 

Sem dúvida. Quando falas em performance estás a falar de estratégias que apresentam um objetivo muito claro: gerar resultados. Resultados esses que se obtêm através de análise. E como a performance na sua maioria das vezes está relacionada com investimentos, ainda mais importante se torna a atenção aos detalhes.

Quando tens um negócio online, a performance é determinante para as tuas vendas. É parte do teu objetivo angariar tráfego qualificado para a tua loja online, escolher os melhores canais, gerar vendas, criar fidelização e potenciar recorrência. E a verdade é que o marketing de performance, ajuda-te a trabalhar o desempenho das tuas campanhas e melhorar os resultados de forma objetiva caso encontres ali algum “gargalo” que te está a retirar potenciais conversões. 

Outra coisa que é super importante quando trabalhas performance é compreenderes muito bem as métricas que persegues. Se falas num e-commerce, a realidade a que estou mais ligado, a performance incide muito nos teus indicadores de vendas como: número de conversões geradas, custo por conversão, ROAS das tuas campanhas, vendas geradas entre outros, todavia não deves perder de vista todas as métricas que indiretamente são relevantes para melhorar a tua performance.

Refiro-me às micro-conversões que te ajudam a perceber que estás mais perto do teu objetivo como conversões assistidas via performance, visitas à página de produto via performance, visualização de um vídeo, subscrição de uma newsletter entre outros.

Em suma, pontos de contacto entre o teu negócio e a tua audiência que posteriormente te permitem segmentações mais afinadas ao nível de comunicação. 

E é nesse sentido que quando trabalhas performance deves ter em atenção alguns pontos.

O cliché mas super válido: O teu objetivo. E aqui pode passar por reduzires o teu CPC numa campanha, aumentar o número de leads ou diminuir o custo de aquisição. Quero dizer que se não sabes o caminho, qualquer caminho serve.

Depois precisas de perceber o que queres medir. Tens tantos dados e relatórios que é muito fácil ficarmos perdidos e pior: Medir o que não é relevante. Assim, pensa no estágio da tua jornada de compra e o que queres retirar dali.

Por exemplo se estás a divulgar um novo produto no mercado métricas como o alcance dos teus conteúdos são relevantes, mas se estás a realizar uma campanha de vendas na tua loja online então, a taxa de conversão já é para ti um dado a acompanhar.

Tendo esta “base” definida, podes avançar para a escolha dos melhores canais: Quer pelo histórico dos teus resultados ou pela análise da tua audiência e onde ela se encontra.

Por vezes sinto que cometemos um erro de querer estar em todo o lado e “meter a carne toda no assador”, sendo que depois fica a faltar toda a vertente planeamento estratégico e integração de canais, de forma a suportar a jornada do teu cliente e as suas necessidades para assim lhe entregares o máximo de valor.

Entra depois o teu orçamento. Quanto é que vais investir, por canal e por campanha? E aqui é muito importante, se falas em e-commerce por exemplo teres muito presente os teus custos de produto e custos logísticos bem presentes bem como o valor que cada cliente representa para ti ao nível de ticket médio e frequência de compra, para assim te balizares qual o máximo que podes investir para angariar uma lead ou concretizares uma venda. Estas são apenas algumas métricas a teres na equação.

No final do dia tens medir os teus resultados, quer das campanhas mas principalmente da tua operação, caso vendas online.

Acho que me alonguei um pedaço na resposta, mas e para sumarizar claramente um Ronaldo com uma mistura de Bolt e sempre que possível a precisão de um Patek Philippe.

No presente, o consumidor está mais disperso online e cada plataforma tem as suas características de comunicação e “manhas” na gestão dos anúncios. X pode visitar a NIT, Amazon, Tik Tok, Pinterest, Twitter, Youtube e o E-Mail. Mas Y pode visitar o E-Mail, Facebook, Instagram, Linkedin e o Observador diariamente.
Como se atinge as diferentes personas tendo em conta o custo de aquisição, mas ao mesmo tempo não saturar o consumidor com uma overdose de publicidade? 

Esta questão remete-me para uma frase que ouvi num workshop que assisti da CRITEO onde o speaker a uma dada altura refere o seguinte: “Consumers are most of their time shopping—but they are not always buying”.

E a verdade é que hoje em dia, o consumidor tem imensas opções ao nível de produto/serviço, consome conteúdo de diferentes fontes e “confirma” de diversas formas (a prova social de um determinado produto ou marca é uma delas) o que é para si uma boa escolha, formalizando assim a sua decisão de compra. No entanto, este não é um processo linear e por isso o consumidor é mais “disperso”

Esta avalanche de opções e os diversos touchpoints, tornam a jornada menos linear e em alguns produtos, principalmente de custo de aquisição mais elevado, um pouco mais demorada e desafiante.

O consumidor de hoje, toma as suas decisões quando quer, como quer e onde quer, fazendo a jornada até à compra menos linear e se a tua marca não estiver presente nos vários momentos de forma relevante, autêntica e focada na solução, vai estar a dar oportunidade às marcas que o estão a fazer. Muitas delas seguramente, serão a tua concorrência.

Não quer isto dizer que modelos da jornada do consumidor baseados no funil de marketing, sejam pouco eficientes. De modo algum. Continuam a ser super relevantes e a ter sucesso, muito sucesso, no entanto, em determinados momentos existem pontos do comportamento do consumidor ao nível da sua atividade e especificidade que faz com que as marcas precisem de ser mais expansivas na sua estratégia.

Assim, tendo por base estes pontos, do lado da tua marca, e quando estás a trabalhar na tua estratégia de performance, deves ter em conta algumas boas práticas. Vamos deixar as “manhas” para outras núpcias.

Boa Prática 1 – Faz bem o básico. Estamos sempre preocupados com a última tendência, ferramenta ou dica, que nos esquecemos por vezes de fazer o básico bem. Se o fizermos, vamos sair na frente da nossa concorrência. Exemplo prático: Tem o teu pixel de Facebook bem configurado assim como as tuas conversões personalizadas e os teus eventos padrão de forma tornares a tua mensagem mais relevante.

Boa Prática 2 –  Qualifica muito bem a tua base de dados. Uma base de dados bem qualificada e segmentada é um trunfo muito forte para teres em conta quando queres por exemplo “subir” para o Google Ads e criares uma audiência similar aos teus top 500 clientes que mais compram na tua loja online ou desenhares fluxos de automação de marketing muito mais finos e relevantes para a tua estratégia de email marketing.

Qualquer plataforma de email marketing te permite criar tags que categorizam os teus clientes com base nos seus comportamentos e isso ajuda-te a seres mais preciso na comunicação que fazes.

Boa Prática 3 – Audiências. Qualquer estratégia de performance vive deste ponto. Assim, olha, por exemplo, para a tua loja online e analisa a forma como ela está estruturada e os comportamentos que o teu cliente e potencial cliente tem na mesma.

Utiliza o Google Analytics e cria audiências que te permitam impactar o teu cliente e potencial cliente de acordo com o conteúdo que ele está a ver, tempo que esteve no site ou ação que tomou ou não tomou.

Isto é crucial para depois apresentares uma criatividade e uma copy que faça o fit. E da mesma maneira que trabalhas audiências para utilizar, podes trabalhar audiências para não utilizar, como por exemplo teres uma audiência que exclui todas as pessoas que já compraram o teu produto para que não as “massacres” com publicidade.

Boa prática 4 – Percebe as “regras” do jogo. Isto significa que deves procurar ter um bom conhecimento de como as plataformas funcionam e o que te permitem fazer em termos de táticas para as usares da melhor forma. Seja de forma isolada ou de forma interligada.

Além disso, a publicidade foca-se cada vez mais em envolver o utilizador na mensagem, resolver um desafio e por fim “convidar” a uma ação. Para tal deves ter presente uma clara noção das tuas personas, conheceres bem o teu mercado, analisares a tua concorrência e seres focado naquilo que o teu produto lhes “entrega”.

E podíamos “continuar”, todavia o que importa reter é: Quando conheces o teu cliente e trabalhas a tua audiência de acordo com o seu comportamento, as tuas campanhas são mais rentáveis, assegurando-te um ROAS mais interessante conseguindo por consequência uma rentabilidade da tua campanha mais sólida quando chega a hora de avaliar todos os custos inerentes à mesma.

Lembro ter ficado fascinado ao ver o uso DoubleClick no Costa Coffee no UK (o anúncio era demonstrado em Display a quem estava próximo dos Pontos de Venda). A abordagem produziu 82% de alcance extra, uma taxa de cliques 32% maior, um aumento de 30% e um CPM 60% menor.
Como as empresas com um maior poder de investimento online podem beneficiar do Marketing Programático? 

Quando falamos em publicidade, procuramos sempre aquilo que chamo a “combinação perfeita”: A melhor audiência, no melhor espaço ao melhor valor. A compra programática no nosso mercado, não tem a mesma expressão quando comparada com outros meios, apesar de já encontrarmos marcas a fazer um trabalho deveras interessante como o ActivoBank e a Vodafone, apenas para citar alguns.

Segundo uma notícia publicada no Jornal Económico em 2019, estima-se que sensivelmente 70% do investimento em mídia digital está centrado em Facebook e Google. O que significa que a “restante” fatia do bolo, é partilhada por outros meios como: Native Advertising, Branded Content, Display Advertising e a Mídia Programática.

A mídia programática não é mais do que a compra de espaço publicitário através de um software, onde um conjunto de plataformas, enriquecidas com dados de várias origens te ajudam a tomar melhores decisões na tua estratégia. 

Por um lado, permite ao publishers capitalizarem melhor o inventário disponível bem como otimizar recursos, por outro faz com que as marcas comprem de forma mais eficiente, personalizada e beneficiando de real time data, trabalhando mais o now moment na comunicação.

O grande foco da mídia programática assenta em trabalhar audiências e não tanto impressões no site A ou B. Para tal a tua marca pode usar dados de várias fontes, os chamados First, Second e Third party data, tornando assim a tua mensagem muito mais eficiente.

Para além disso e tomando a tua questão, consegues, porque hoje a tecnologia está presente em quase todos os meios, levar a mensagem para um website, um smartwatch, integrar com o outdoor e inclusivamente combinar com a TV. E aqui, fica o convite para explorares a plataforma TunAd, para veres o potencial.

Assim, com a qualidade dos dados que conseguem obter, as marcas podem direcionar tráfego muito mais qualificado para a sua loja online, “alimentando” os seus pixeis, criando campanhas mais eficazes nos seus canais habituais como Facebook e Google. 

Além disso, fruto da sua omnicanalidade, consegues acompanhar o consumidor permanecendo no seu top of mind, gerando assim uma maior interligação e propensão para a conversão. 

Para as marcas, existe aqui uma oportunidade fantástica de trabalhar um marketing muito mais preciso através da mídia programática com a inclusão de triggers que fazem com que o contexto tenha mais sentido. 

Imagina o seguinte cenário: Tens uma loja de roupa e tens uma campanha a correr que apresenta a tua coleção de primavera/verão.

Mas imagina que se avizinha uma semana de chuva? Vais parar a tua campanha? Não. Através de triggers ativados via compra programática associados a sites de metereologia, podes ter para os dias onde vai ocorrer chuva, criatividades preparadas que vão comunicar as tuas peças de roupa de outono/inverno que te ajudam por exemplo a ter mais contexto e ainda a escoar” stock, ou realizar umas vendas adicionais.

As peças da campanha primavera/verão voltam quando a informação meteorológica estiver de acordo com a segmentação que criaste.

Outro cenário é a relevância da mensagem. A Audi tem um case muito interessante com isso aquando do lançamento do Audi Q2.

Os dados que as pessoas usavam na configuração do carro, estavam a ser usados, para através de compra programática, serem apresentados posteriormente aos utilizadores que os configuraram, tornando assim, segundo a Audi, a sua comunicação até 4x mais eficiente face a uma estratégia de remarketing convencional.

Apesar de apresentar custos superiores, fruto das várias tecnologias associadas, a compra programática qualifica-te muito mais a audiência e permite-te ter uma ligação ao offline de forma contextual como nenhum outro meio.

Fica em jeito de curiosidade uma imagem que retrata o ecossistema da mídia programática e um convite para quem nos estiver a ler, a explorar a DSP do Google, a DV360 e a AppNexus para uma melhor compreensão deste universo. Nota que ficou muito por falar, mas acredito que ajudou a compreender a potencialidade desta forma de publicidade.

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Quais foram as estratégias/campanhas que te deram mais gozo pelo desafio e pelos resultados alcançados? 

Recordo-me de 3 projetos. O primeiro foi a aplicação da marca de bebidas MALIBU, o segundo foi a estratégia digital para o lançamento do miradouro Amoreiras 360 Panoramic View e o mais recente, foi o que falei no AdSummit – a campanha 10 dias 10 blends na Delta Q.

Quando trabalhei em agência, Arena Media, tive oportunidade de trabalhar alguns projetos muito ricos. Aliás, uma das vantagens de trabalhar em agência é mesmo essa: ganhas uma elevada bagagem ao nível de gestão de projetos fruto de trabalhares vários clientes para além de desenvolvermos bastante a nossa capacidade ao nível do pensamento estratégico e planeamento.

Um desses projetos foi a criação de uma aplicação para a MALIBU. Muito orientada para a gamificação, a aplicação dava-te pontos sempre que participavas numa das festas da marca durante o verão, partilhando conteúdos nas redes sociais e ainda interagindo com todos aqueles que também a tinham.

Sempre que estavas numa festa e convidavas um amigo para vir contigo, ao chegar e fazer check in pela app ambos ganhavam pontos que podiam ser descontados em bebidas Malibu no bar ou em brindes.

Este projeto, para além dos resultados, deu-me imenso gozo, pois permitiu-me trabalhar pela primeira vez o verdadeiro conceito de Gestão de Projeto.

Articular tarefas com os vários parceiros, desenvolver mapas de trabalho com base nos desenvolvimentos do projeto e acompanhar de perto o universo das aplicações e UX na criação de uma proposta totalmente focada no conceito de comunidade ou tribo, foi deveras enriquecedor, pois deu-me uma visão que ainda hoje me ajuda no rigor e planeamento que devemos ter na gestão de um projeto.

O segundo projeto, para além dos resultados: No mês de lançamento, vendemos acima de 2700 bilhetes, conquistamos uma comunidade de 10 mil seguidores que contribuíram com mais de 1800 conteúdos na estratégia de ativação da marca nas redes sociais, foi uma estratégia que me deu um particular gozo, pela visão 360 num plano digital feito de raiz e de A a Z.

O Amoreiras 360 Panoramic View, é um miradouro que está situado no Amoreiras Shopping Center, um dos primeiros senão o primeiro centro comercial de Lisboa. O grande trunfo do miradouro reside no facto de te dar uma vista 360 sobre a cidade de Lisboa. 

Para além da estratégia de definição dos objetivos de comunicação digital, definição do target, mensagem a passar, alinhar com a comunicação já existente do shopping, pensar na estratégia além fronteiras e alinhar tudo isto aos objetivos de negócio, para mim a parte mais gira mesmo foi mesmo toda a parte de criar do zero todo um projeto.

Pelo caminho fica ainda, sentir o projeto junto da equipa das operações, elaborar briefings, negociar e aprovar propostas, e toda uma parte puramente digital: o lançamento do website, as plataformas de social media com estratégia de conteúdos, o planeamento de media nacional e internacional e a monitorização dos resultados, sem sombra de dúvida tornou este projetos um dos que mais gozo me deu. 

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Por fim, a campanha 10 dias 10 blends de Junho passado. Pelos resultados, onde num mês faturamos o equivalente a mais de 80% do ano 2019, pela exigência que é trabalharmos uma campanha de mudava de produto com regularidade. 

Apesar de falarmos de café, o cliente que compra um Delta Q bio, não é o mesmo cliente que compra um Delta Q Double e como tal, pensares nos conteúdos a divulgar, nas audiências e nas suas exclusões para não estares a “estourar” orçamento em audiências que já converteram entre outras estratégias de performance, foi um verdadeiro desafio. 

Toda a colaboração junto da equipa de operações, contact center e controlo de gestão de forma a que a experiência de compra fosse de forma transversal a melhor possível.

No entanto, o que destaco mesmo desta campanha, foi a possibilidade de perceber claramente todo o ecossistema que compõe um canal de e-commerce e a importância que a tua capacidade de análise e pensamento orientado ao negócio tem no sucesso para este canal.

Se a tua vida fosse uma campanha de Meios, como seria? 

Sou um grande apreciador de metáforas. Acredito que nos ajudam muitas das vezes a descomplicar alguns assuntos e a dar uma perspetiva sobre o que pretendemos.

Por isso e porque a entrevista já vai longa, culpa minha, mas também mérito teu pela forma como a conduziste, deixo-te duas campanhas que podem ajudar na resposta. Fica o convite à interpretação por parte dos nossos leitores.

Vídeo 1 (visível apenas no YouTube após clique):

Vídeo 2: