legislativas no digital 2019

[Análise] As Legislativas 2019 no Digital

Sabia que o Pan é o partido com mais seguidores nas redes sociais? E que o Bloco investe mais em Facebook Ads do que a soma de todos os partidos da assembleia?

Análise ao digital dos 6 partidos com assento parlamentar, um partido que competiu pela primeira vez nas últimas eleições (Livre) e um partido que compete pela primeira vez nas legislativas (Iniciativa Liberal). Nota: O CNE e o Facebook proíbem conteúdo político direto patrocinado a nível de propaganda  mas os partidos optam geralmente por contornar a situação (Criticas aos adversários, coluna de opinião, anunciar comícios, entre outros conteúdos). 

legislativas no digital 2019

As Legislativas 2019 no Digital – Análise

Redes Sociais

A adaptação a um meio gera evolução e nesse sentido o Pan e a Iniciativa Liberal são os partidos que mais criam conteúdo para o seu público-alvo. A adaptação ao meio representa que o Pan seja o partido com mais seguidores nas redes sociais à frente dos partidos históricos e do agora não tão “fresco” Bloco de Esquerda, que conta com 20 anos de existência. Por outro lado, a comunicação direta e de guerrilha da Iniciativa Liberal tem gerado um aumento de seguidores em todas as redes sociais, sendo o único partido dos analisados com presença no Linkedin e comunicação ativa para inscrição no seu WhatsApp, serviço de chat que não apresenta corte de alcance ao contrário das redes sociais.

De salientar que o Bloco designa-se no digital como Esquerda.net funcionando como um meio noticioso para os temas e causas que defendem.

Anúncios nas Redes Sociais

Com o decréscimo do alcance orgânico, a utilização de anúncios nas redes sociais faz parte de uma estratégia de comunicação online. Contudo no período em análise, o PAN apesar de apresentar um maior número de seguidores, são a par do CDS, partidos sem uma utilização ativa de anúncios.

O PS apesar de atualmente ser governo investiu mais e melhor do que o seu eterno rival PSD, com o uso Pixel de medição e Remarketing.

Segundo os dados do Facebook Ads Library, o Bloco foi o partido que mais investiu em Facebook Ads (15 053€). Ao contrário da CDU não utilizam o Pixel para uma medição mais correta e recolha de dados no site para Remarketing, como o caso do PS, Livre e Iniciativa Liberal.

Além do maior investimento na rede Facebook (Inclui Instagram), o Bloco foi o único partido que já realizou anúncios pagos no Twitter.

Rede Google e Afiliados

Apesar de referidos no site Similar Tech  é impossível enunciar sem suposições e sem ter visto um anúncio. O PS e a Iniciativa Liberal utilizam a rede de afiliados AWIN, possivelmente para a colocação dos artigos do seu blog em sites escolhidos a dedo dos parceiros da plataforma. O suposto uso do Doubleclick por parte do Bloco e da Iniciativa Liberal permite alcançar o público-alvo em sites, redes sociais e apps parceiros da plataforma com uma segmentação precisa ao ponto de ser possível a escolha da afiliação partidária.

Comunicar Offline para ser notícia e partilhável no Online

cartaz iniciativa liberal

De todos os partidos, a Iniciativa Liberal (IL) tem apresentado maior criatividade e guerrilha na sua comunicação. Desde de outdoors como forma de resposta ao outdoor “vizinho” (cumprimos / com primos ) a outdoors que fogem completamente à norma.

Grande parte dos outdoors criativos são idealizados por Manuel Soares Oliveira, Diretor-Geral da agência Mosca e criativo voluntário para a IL.

“Um simples outdoor pode ser mais do um simples outdoor. Vivemos numa época em que todos têm uma máquina fotográfica no bolso e a vontade de partilhar conteúdos nas redes sociais. Por isso, um outdoor em 2019 deve ser pensado no potencial viral que possa vir a ter nas redes sociais. O reach é enorme quando se aposta na criatividade. Este outdoor da Iniciativa Liberal prova este ponto. Foram milhares de partilhas, artigos de jornais e reportagens na TV. Depois disto, fica difícil justificar não apostar na criatividade” refere em publicação no seu Linkedin.

Os partidos no Digital

Na era das fake news e publicações populistas com dados falsos, a comunicação nos canais dos partidos deve ser cada vez mais enquadrada para as pessoas. O combate às fake news apenas se consegue com ideias simplificadas na sua transposição no digital. O Pan e a Iniciativa Liberal são o exemplo que existe pessoas interessadas em partidos e nas suas respetivas ideias.

Fontes: https://www.facebook.com/ads/library/?active_status=all&ad_type=political_and_issue_ads&country=PT

www.similartech.com

Como o Fortnite está a mudar o Marketing!

Inovador e disruptivo, Fornite faturou 2 biliões de doláres em menos de dois anos!
 
[Sem tempo para ler? Assiste apenas o vídeo!! Com tempo? Descobre mais no artigo]
 
 
Crianças a fazer movimentos de dança “bizarros”, adultos com novos passos na discoteca, serão fãs da Dança com as Estrelas? O fenómeno surge do videojogo Fortnite onde 99 jogadores competem (online) numa ilha até existir um jogador ou equipa sobrevivente. O jogo conquistou milhões de pessoas(80 milhões de jogadores mensais) e quebrou as barreiras do Marketing Tradicional.
 
Free-to-play Not Pay-to-win
 
Fortnite segue o modelo free-to-play disponibilizado gratuitamente para consolas, pc e dispositivos móveis. Embora seja normal a existência de jogos gratuitos, por norma, seguem o modelo pay-to-win, em que quem gasta dinheiro (ou mais dinheiro) acaba por ter uma vantagem competitiva contra quem não investe no jogo.
 
No jogo sensação do momento, o modelo de receita não afeta a vantagem competitiva mas acrescenta outro tipo de experiências aos jogadores.
 
Incentivos – Gamification
Fortnite tem uma moeda própria “V-Bucks” que são adquiridos com dinheiro real ou através do jogo ao conquistar desafios diários, semanais ou por época.
 
A cada 3 meses, o jogo proporciona uma nova época com mais desafios e skins para armas, roupas e danças com opções de compra. Contudo para entrar na época torna-se necessário adquirir um acesso passe.
 
Mas o jogo não procura o gasto de dinheiro desenfreado. Com a possibilidade de renovação do passe de época a quem cumpre os desafios de época anterior cria-se um foco na necessidade de “prender” os jogadores, com mecânicas que incentivam a jogar.
fortnite
Gerar inveja
 
Além de haver poucas probabilidades de haver um vencedor, a chave para o modelo de negócio do Fortnite foca-se no não uso de V-bucks para comprar “vantagens” que afete o desempenho dos jogadores.
 
Em vez disso, a moeda é usada para comprar skins para armas, danças e modos de jogo. Muitos dos acessórios na loja Fortnite estão disponíveis durante um tempo limitado.
Isto contraria o Marketing Tradicional com a venda do produto não ser a única ou até mesmo a fonte de receita(jogo gratuito) e a procura que se gera são de produtos não físicos com uma escassez intencional (bem virtual).
 
Do lado da receita, Fortnite fez algo realmente único, com a criação de percepção de exclusividade. Segundo Michael Pachter, analista da Wedbush Securities. “Se vires outro jogador em uma pele de leopardo e veres que não está mais disponível pensas eu tenho que ser o primeiro na próxima vez.” As poucas de chances de ser o vencedor também gera sentimentos de inveja(os jogadores querem ser os vencedores.)
 
O fenómeno viral
 
No presente, há um grande mercado de pessoas que assistem a videojogos. Youtube e Twitch popularizam streamers que apresentam uma audiência massiva sobretudo de público mais jovem.
 
O Boom inicial foi proporcionado por jogadores online pagos ou não para transmitirem as suas horas de jogo. Da visualização à descoberta pelas próprias mãos leva um download e o jogo conquista pelo seu sistema!
 
Na cultura Pop
 
Fortnite está em todo o lado e a sua popularidade também vive de adultos entusiastas, como o jogador Griezmann, conhecido por fazer danças do jogo nas suas celebrações, por exemplo, no último Mundial de futebol.
O segredo do sucesso de Fortnite vai além do seu modelo de negócio, das danças ou da jogabilidade, mas também pela experiência de poder ser jogado ou vivido entre amigos em danças divertidas na discoteca.
 
Fortnite ultrapassou a barreira de um videojogo e hoje é uma experiência social.

O Marketing além do Marketing

A comunicação transmite uma mensagem. No Marketing independentemente da forma ou feitio o objetivo principal são os resultados. Mas ao existir uma mensagem torna-se necessário conhecer a sociedade e os seus problemas.

Aquando a minha gestão do facebook da APFA criei avatares para  a representação das equipas na liga portuguesa. O caminho mais fácil seria um boneco standard, contudo optei por uma maior autenticidade com avatares de diferentes tamanhos e cor de pele.

353b7ce5-a11d-4b87-902f-09708c6eaf5e-large

A não uniformização leva uma maior aproximação à realidade e consequente identificação numa sociedade em que o diferente ela renega e que estereotipa protótipos do ideal.

Não uniformizar tem ganho força, figurinos diversificados são uma tendência em crescente nas grandes empresas produtoras de brinquedos como reportado no site The Verge.

social media

Mas o que é novidade hoje não deveria ser o normal?  Sim. Porém o duplipensar encontra-se instalado na sociedade. Segundo o sociólogo  Jacques Ellul, “o propósito não se trata de modificar as ideias das pessoas mas chegar a uma conformidade sobre como as pessoas comportam.”. No livro Propaganda – The formation of men attitude, aborda as condicionantes sociais em uma comunicação de massa onde se caracteriza pela uniformidade e aspetos materiais independentemente do meio da pessoa. E como essa mesma comunicação reduz o individuo.

Reduzir o individuo

O conceito Doublethink (Duplipensar) surge pela primeira vez no livro 1984 de George Orwell. Um alerta sobre “O poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo, de contar mentiras deliberadas e acreditar genuinamente nelas esquecendo de qualquer fato que tenha se tornado inconveniente.”

O duplipensar provoca uma dissonância cognitiva quando os dois elementos não apresentam coerência. Por exemplo em sociedades apelidadas de modernas, o papel da mulher é amplo porque ao longo da história houve progresso em relação à sua independência e na procura de igualdade de direitos. Mas na publicidade, música e outros meios de expressão a mulher em muitos casos é reduzida a um objeto. A mesma sociedade que acredita nos direitos da mulher,que apela aos valores da liberdade e condena países mais conversadores, é a mesma sociedade que reprime determinado tipo de comportamento das mulheres.

erica-fontes_1-720x617

Um restaurante causou polémica ao chamar uma atriz pornográfica de vaca. Ao conhecermos a sociedade, as suas pessoas e comportamentos, apercebemos da recorrente utilização da terminologia em mulheres sejam sexualmente mais ativas ou não. Exemplo, rapariga acaba namoro com rapaz. O rapaz usa insultos como vaca e p**** .

Se a frase da imagem apresentasse um abordagem como “Não entendemos porque algumas pessoas chamam mulheres de vacas. Para nós uma vaca é isto.” invés de fazerem um reforço negativo a um problema na sociedade, falariam do seu produto de uma forma elegante, positiva e igualmente “edgy”.

Mas torna-se difícil tal acontecer porque as mensagens encontram-se assimiladas e difundidas na sociedade que foi criado um padrão visto como normal.

bk_ad

Onde até para vender uma sandes uma mulher é colocada em posição sexual aliada a um texto com inuendo . E uma sandes de um burger king é algo nada sexy e nem se tornou sexy depois da publicidade.

Não existe correcto ou incorrecto quando a comunicação se mede por resultados. Apenas existe verdadeiro e falso e várias perguntas. “Estou a reforçar algo negativo na sociedade? Verdadeiro ou falso.” A consciência fica para cada um e cada qual escolhe as suas verdades, falsidades e reforços positivos/negativos na sociedade. No entanto, não se pode ignorar que um reforço negativo soma num bolo maior com consequências. Nada é subtil quando existe uma assimilação em massa. Em jeito de reflexão, uma cena do filme Detachment sobre o tema. 

 

 

 

Marketing Nativo, um jogo de estratégia

No marketing nativo o conteúdo é colocado estrategicamente fora dos canais da marca(rede social, site, etc). Uma tendência em crescente que difere do marketing de conteúdos em voga no passado, mas que no presente coexiste com as diferentes formas de marketing.

Passado recente

Exemplo – youtube/site da marca

Em 2009 a Lowe Ativism(agora Lintas) realizou vídeos com o conceito Poster Tagus onde verdadeiros posteres (uma espécie superior de “cromos”) eram entrevistados por “Este Senhor”, celebrizado na MaxMen e nas Noites Marcianas como “Bondage”.

Vídeo “Poster imperactivo” 

Com o sucesso da campanha a Tagus continuou a sua aposta em conteúdos destinados a jovens universitários. No ano seguinte, foi produzido um documentário fictício sobre a vida de “Este Senhor”. Com exibição inicial o canal Youtube da marca e site a série foi exibida posteriormente na Sic Radical.

Case Study

O presente

Passado seis anos, bastante mudou no online além dos algoritmos e diminuição do feed orgânico nas redes sociais. Celebridades, bloggers,youtubers e humoristas apresentam uma comunicação mais estudada e planeada no digital e há uma maior profissionalização e visualizações nos vídeos produzidos para o Youtube/Facebook. O público segue ou aceita mais facilmente pessoas(e o seu conteúdo) em vez do conteúdo da maioria das marcas. Isto cria uma mudança no paradigma onde a maioria das marcas não apresenta força comunicacional ou meios para chegar aos seus alvos através das suas plataformas.

A Swegway aquando proibição das hooverboards na via pública lançou um vídeo com o youtuber Carnage(75 000 subscritores). O vídeo com o nome “Are Swegway Hooverboard ilegal” mostra o youtuber a passear em cima de uma Swegway mas sempre próximo de polícias. O vídeo de humor no fim transforma-se em momento de venda com um call to action e desconto de promoção pela compra do produto no site.

O vídeo conta com 1 milhão de visualizações no canal oficial. Embora o número total de visualizações seja superior devido a uso indevido do vídeo por parte de outros canais ou páginas Facebook.

Porém existem mais meios de camuflar a publicidade no conteúdo.

po

A comunicação social passa por um momento de transformação em Portugal devido aos grupos económicos ao seu controlo. A lógica dos seus accionistas de redução de custos e uma maior obtenção de lucros leva a uma maior aceitação de conteúdo originado através das marcas. Recentemente, a aplicação Happn foi abordada através de uma reportagem “cool” no jornal online Observador.

O artigo também promovido no Facebook alcançou um estado viral. Ao a publicidade encontrar-se camuflada num artigo permitiu o conhecimento da App por parte do seu mercado em Portugal, devido ao estilo da reportagem e segmentação da publicidade na rede social.

Native content gone wrong

No mercado dos simuladores de futebol existem dois jogos que competem há 16 anos, Fifa e Pro Evolution. Atualmente o jogo Fifa domina as vendas, tendo apenas no mercado americano o mesmo número de vendas do seu concorrente no mundo todo.

O segundo lugar no mercado leva a um investimento de marketing por parte dos produtores do Pro Evolution. Entre várias estratégias, a série também aposta no marketing nativo com a dupla de futebol freestyle, os F2Freestylers. O canal  Youtube da dupla apresenta mais de 2 milhões de subscritores e cada vídeo ronda entre os 2 milhões e 4 milhões de espectadores, números perfeitos para uma campanha que envolva futebol.

Como parte da estratégia de marketing foram produzidos uma série de vídeos com a marca Pro Evolution e Neymar(jogador capa do jogo). Mas na verdade, dificilmente um vídeo dos F2Freestylers leva alguém a comprar um jogo com edição anual.

Apesar de ser a nova versão do produto não se trata de um novo produto. No entanto, se os F2Freestylers fossem incluídos no jogo com um modo exclusivo de “Freestyle”,  o novo modo e presença das “estrelas” do canal captaria a atenção por parte dos fãs para o jogo.

Portugal

O jogo de estratégia em Portugal passa por encontrar os alvos certos e criar um conteúdo que crie resultados económicos para a empresa. O estado da comunicação social torna-se propicio para a publicidade nativa e a nível de celebridades, youtubers, bloggers existem personalidades nas várias áreas e segmentos. A estratégia certa aliada a um conteúdo bom e pertinente faz a diferença.