Pedro Caramez responde: No Networking, depois duma má primeira impressão, existe espaço para uma segunda boa impressão?

É comum ouvirmos que a primeira impressão é a mais importante, sobretudo quando toca a relações amorosas.

E no Networking como será? Nem sempre conseguimos causar uma boa primeira impressão. Nervosismo, erros de interpretação de um dos lados, são vários os motivos que podem levar a um falso arranque. Será que existe uma segunda chance?

Para responder à pergunta, fui falar com Pedro Caramez, consultor de Marketing Digital e Formador nas áreas de networking online e offline, e autor do livro Como Ter Sucesso no Linkedin.

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No Networking, depois de uma má primeira impressão, existe espaço para uma segunda boa impressão?

Quando fazemos um falso arranque, há um caminho longo para corrigirmos o erro. Temos que ser pacientes, no digital ou no offline, se queremos recompor a primeira impressão.

Obviamente depende sempre do primeiro erro. Contudo se o erro for algo rectificável, exige de nós uma paciência para reconstruir a imagem de credibilidade que queremos, junto dessa pessoa.

Mas depende sempre do impacto negativo, se foi pela nossa imagem, um juízo valor menos adequado ao local que estamos, ou até mesmo um juízo errado por parte do outro lado. Se a primeira má experiência, for um erro crasso de interpretação, avaliação de alguma situação, ou um procedimento menos claro da empresa, são situações que levam muito tempo a corrigir. Cria-se uma perda total de confiança, e haverá dificuldade em reconstituir a imagem.

Se tiveram uma primeira impressão não tão boa, avaliem a sua natureza e adeqúem um método e estratégia que vos permita de aproximar das pessoas. Pequenas interacções online, aliadas com um conjunto de dinâmicas, que no longo prazo podem trazer de volta a confiança. Porque na vida e no networking, há sempre espaço para uma segunda oportunidade!

A tua identidade sem graxas

A forma que somos lembrados é como muitos nos definem, e nada melhor que causar boa impressão no primeiro impacto. A típica apresentação “Sou o Manel” não capta a atenção porque já foram ouvidos muitos “Maneis” e não podemos ser mais um. As pessoas recordam momentos, e devemos criá-los para sermos lembrados. Imagina que na hora do lanche duma conferência certa pessoa apresenta-se a ti, como “Boxista dos números, esquivo ao preconceito dos alunos de que a matemática é difícil e chata” dificilmente esquecerias deste professor matemático!

“Um homem sem imaginação é um homem sem asas” Muhammad Ali

Quando ouvimos falar em boxe surgem rockytrês nomes à nossa cabeça Muhammad Ali, Rocky Balboa e Mike Tyson. Este último porque num acto insólito canibalesco trincou a orelha do seu oponente. Há duas maneiras de ser lembrado, por algo mau ou por sermos diferenciadores de uma maneira positiva. Acreditem que não é bom ser lembrado como o gajo que trincou uma orelha, até porque depois nunca mais poderemos contar segredos ao ouvido porque as pessoas ficarão com receio.

Muhammad Ali não tinha o melhor registo de sempre(56 vitórias e 5 derrotas), algo normal no desporto porque os campeões não são invictos durante toda a carreira, a não ser que te chamas Rocky Marciano. Marciano foi a grande inspiração para a personagem de Rocky Balboa e apresenta o registo alienístico de 49 vitórias e 0 derrotas. Um registo impressionante, contudo a personagem de cinema tornou-se mais conhecida que o original. muhammad

Mas não foi o único a ficar mais conhecido, Muhammad Ali também porque tinha carisma, identidade e uma história para contar. Diferencia-se do resto no ringue e fora dele. Dentro dele tinha um estilo próprio, os aficionados do boxe dizem que dançava pelos adversários tal a ginga e rapidez, fora do ringue era um homem com valores e ideias. Muitos podem não conhecer as suas convicções mas em cada imagem, em cada frame vemos a sua força. No ringue não se encontra só um lutador, encontra-se Muhammad Ali e tudo o que ele representa.

O estilo próprio, a coragem em não ter medo em expressar as suas opiniões, toda a sua garra fazem-nos lembrar de Ali. Para ser lembrado basta teres a ousadia de numa conferência fazer uma pergunta não típica, que faças sorrir a plateia e o orador com a tua intervenção e que tenhas sido produtivo(a) para o debate. E nesse momento quebras o gelo para comunicar no final com o orador ou para fazer o follow-up online, mas também quebras o gelo com outros membros que estiveram presentes na plateia! Nem sempre quem tem os melhores “registos” são os escolhidos e lembrados, em muitos casos são os genuínos, os que arriscam, os que são elas próprias sem medo e complexos que ficam na memória. Os que fazem graxa são facilmente esquecidos ou lembrados pelos piores motivos como o Mike Tyson.